sexta-feira, 20 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Gisela Milman

Gisela Milman


Gisela Milman vive e trabalha no Rio de Janeiro. Participou de várias exposições individuais e coletivas e foi selecionada para diferentes Salões de Arte fora do Rio de Janeiro. Vamos conhecer os trabalhos e o pensamento da artista. Obrigado Gisela.



Gisela conte um pouco de sua vida pessoal.
Nasci no Rio de Janeiro em 1965 e sempre vivi e trabalhei aqui. Aos 18 anos coloquei uma mochila nas costas e passei 2 anos entre Europa, Asia e Africa. Me formei em desenho industrial e trabalhei alguns anos como designer, mas acabei entrando para o negócio que minha família abriu em 1990, importação e comércio de cosméticos. Trabalhei como empresária por 13 anos, mas sempre procurei me manter ligada ao design. Criava todo o material gráfico da empresa, revistas, folders e etc. Em 1998 comecei a pintar informalmente, em casa, nas horas vagas. Com o tempo percebi que era aquilo que eu queria fazer e larguei a empresa pra me dedicar à arte em tempo integral.

Como a Arte entrou em sua vida?
Quando tinha 5 anos meus pais abriram uma galeria de arte em Ipanema. Eu ia com eles visitar ateliês de artistas, participava de todas as vernissages e adorava aquele mundo. Desde então eu já sabia que queria fazer algo ligado à arte.

Qual foi sua formação artistica?
Me formei na ESDI - Escola Superior de Desenho Industrial. Bem mais tarde, fiz diversos cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e no Ateliê da Imagem. Até hoje participo de grupos de estudo onde posso apresentar meus trabalhos e discutir sobre arte.


Que artistas influenciam seu pensamento?
Sophie Calle, Andy Warhol, Cindy Sherman, Bruce Nauman, Sam Taylor-Wood, Bill Viola, Nelson Leirner… são alguns que me ocorrem agora.


Como você descreve seu trabalho?
Me interesso por questões como solidão, busca, desejo, medo e algumas mais relacionadas ao feminino, como beleza e juventude. Em vários trabalhos eu uso meu próprio corpo nu, às vezes em situções cotidianas, às vezes como pano de fundo para projeções. No momento em que tiro a roupa não estou mais falando de mim e sim de um corpo. Essas imagens são veladas, distorcidas ou fragmentadas.

Fotografia, vídeo, instalações e objetos como eles se comunicam?
Eu posso falar das mesmas coisas através de diferentes meios, mas quando penso um trabalho ele já nasce vídeo, ou fotografia, ou objeto.

Como é a rotina de seu trabalho?
O maior problema do meu trabalho é não ter rotina. Eu funciono melhor tendo uma rotina, mas como meu ateliê é em casa, acabo misturando o tempo de trabalhar com o resto - cuidar da casa, do meu filho e outras atividades. Por isso produzo melhor à noite, de madrugada ou nos fins de semana quando a casa está vazia, silenciosa.

A mulher já tem o mesmo espaço do que o homem no mercado de arte?
Acredito que sim.

Que dificuldades um jovem artista encontra para ser representado por uma galeria?
A principal é que são muitos artistas jovens pra poucas galerias, principalmente no Rio de Janeiro. Cada galeria tem um nicho e isso diminui ainda mais as possibilidades para cada artista.

Qual sua opinião sobre os salões de arte?
Eu participei de salões desde o início e foi muito bom na medida em que me ajudou a organizar meu pensamento. Montar um portfolio pro salão nos obriga a pensar o trabalho, organizar, decidir o que mandar, fazer texto. Mas os salões poderiam apoiar mais os artistas dando uma ajuda de custo, nem que fosse só para o envio das obras.

Além dos estudos sobre arte, que outras atividades influenciam sua criatividade?
Tudo, desde as experiências diárias, cotidianas, meus pensamentos, o que sinto, a forma como sinto até as viagens que faço, música e cinema, especialmente agora que estou muito interessada na criação de vídeos.

Quais são seus planos para o futuro?
Quero continuar trabalhando, me dedicando a arte e expondo sempre que possível. Já percebi que quanto mais exponho, mais eu produzo. Seria bom também ter um ateliê fora de casa.

O que você faz nas horas livres?
Como eu já disse antes, o meu tempo não se divide em trabalho e horas livres, ao contrário, nas horas livres é que eu mais trabalho. Mas quando não estou trabalhando viajo bastante, vou ao cinema, saio com os amigos, leio, vejo tv e na maior parte do tempo estou com meu filho, fazemos programas juntos.


Sem título

Sem título



Sem título




Sem título

Sem título

Nenhum comentário:

Postar um comentário