segunda-feira, 16 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Francilins Leal


Francilins artista de Belo Horizonte, cursa atualmente o Mestrado na UFBa. Utiliza a fotografia como meio para realizar sua obra. Foi selecionado e participa da tradicional exposição Abre Alas da Galeria Gentil Carioca.

Francilins Leal

Fale algo sobre sua vida pessoal.
Nasci em Belo Horizonte e atualmente transito entre a capital mineira e Salvador, onde faço pós-graduação em Artes Visuais na UFBA.

Como foi sua formação artística?
Não faço uma distinção entre formação artística e o vivido nas outras esferas da vida. Lembro-me das longas caminhadas pela mata com minha mãe, onde com carinho ela me ensinava a distinguir uma planta da outra, percebendo seus detalhes, as formas e cores pedras e o cheiro dos bichos.

A religião também tem grande importância na minha educação, passei grande parte das minhas noites de adolescente num centro espírita, onde, entre muitas outras coisas, fui iniciado na filosofia e apresentado formalmente às artes visuais.

Estudei Antropologia no curso de Ciências Sociais da UFMG. A multiplicidade de culturas e formas de pensamento que me foram apresentadas me deram muito prazer intelectual e ajudaram a forjar um pensamento crítico e relativista.

Atualmente faço mestrado em Artes Visuais na UFBA, a troca de experiências com professores e colegas é extremamente enriquecedora.

Que artistas influenciam seu pensamento?
A vida nos oferece uma infinidade de estímulos todo o tempo, muitas vezes o bêbado da esquina nos brinda com pérolas de sabedoria e cabe a nós estarmos dispostos e termos sensibilidade para apreender com isso.

Mas adoro os happenings multicores que acontecem nas festas de congado, boi-bumbá, carnaval, etc. Um artista que articula muito bem estas dimensões e muito me inspira é o performer, bailarino, ator, pai-de-santo Gercino Alves. A sensibilidade com que dona Divina (matriarca do quilombo do Mato do Tição) organiza seu altar, também é uma referência.

Adoro o barroco mulato dos trópicos e, no contexto da Arte
strictu sensu, citaria Goya, Bruegel, Yves Clain, Beuys, Francis Bacon, Santiago Sierra, Hélio Oiticica, Flavio de Carvalho, Cildo Meireles, Arthur Barrio, Antonio Manuel, Glauber Rocha, Arthur Bispo do Rosário e o jovem Paulo Nazareth são alguns dos nomes que me emocionam.
Mas como disse Mário de Andrade em uma carta a Drummond: "Em última análise, tudo é influencia neste mundo."

Além dos estudos sobre arte que outros estímulos influenciam em seu trabalho?
Vagar como um
flaneur pelos domínios das pombas-gira e trancas-rua muito me excita. Afinal, quanto da arte mundialmente relevante não foi forjada a em conversas inebriantes em lupanares em companhia duvidosa?

Além disso, gosto muito da leitura dos viajantes das Índias, que com entusiasmo infantil descrevem o Novo Mundo. Aliás, brincar com e como crianças é um dos grandes aprendizados da vida.

Os estudos culturais possuem grande relevância nas minhas leituras e atualmente me dedico com afinco à arqueologia e a arte pré-histórica, disciplinas que têm servido substrato para meus novos trabalhos.

Quando você é fotógrafo e quando você é artista?
Fazer esta secção entre fotografia e arte não me parece muito sensato, esta discussão nasceu com a descoberta do processo fotográfico, quando alguns o oponham às formas clássicas de arte. A fotografia é mais um suporte de para representação do mundo, como a pintura, cinema, escrita, etc. Podemos fazer múltiplos usos desta ferramenta, que foi fortemente explorada pelos surrealistas e na contemporaneidade é a vedete das exposições de arte. Muitos autores utilizam habilidosamente a foto no contexto artístico, cito alguns exemplos: Andreas Gursky, Arthur Omar , Monch, Saly Man, Nan Godin, Daido Moriyama, Eustáquio Neves, Miguel Rio Branco, Mary Ellen Mark, Claudia Andujar, Michael Ackerman,Oscar Muñoz, ente muitos outros.

Como você descreve sua obra?
Múltipla, atravessada pelas mais diversas pulsões artísticas. Mas esta avaliação deixo para os críticos e para o espectador.
Que exposição sua, você considera a mais importante?
A próxima. Neste momento tenho confirmadas duas exposições, uma no Palácio Abrantes, em Granada, Espanha e uma grande individual que acontecerá no Centro Municipal de Fotografia de Montevidéu - CMDF, no Uruguai.
Como você descreve o mercado de arte em Belo Horizonte?
Em qualquer discussão sobre o mercado de arte, me parece importante grifar que a arte é inerente ao homem e é ela é a condição para existência de um mercado em torno dela e não o contrário.

Num mundo cada vez mais conectado, os mercados se expandem para além das fronteiras geográficas. Se considerarmos o mercado mineiro, apesar de incipiente, ele está se dilatando e passando por uma grande revolução, principalmente pela multiplicação de espaços expositivos, da consolidação artistas locais e pelo crescente interesse da população pela arte contemporânea.
É possível viver de arte no Brasil?
Não considero que seja possível viver sem arte, onde é que eu esteja.
Recentemente você participou de exposição no exterior, você poderia nos dizer como foi a experiência?
Ampliar horizontes sempre é muito bom. A expansão aumenta a possibilidade de encontrarmos afins e isto tem multiplicado o alcance da minha obra e o encontro com pessoas e lugares que me afetam.
Quais são as expectativas sobre sua participação na próxima exposição na Galeria Gentil Carioca no Rio?
A exposição vem afinar um diálogo com artistas que admiro, no último ano participei de exposições com alguns autores representados pela A Gentil Carioca, como Alexandre Vogler e Ernesto Neto. É um prazer mostrar meu trabalho na galeria, que é uma referência para mim.
Quais são seus planos para o futuro?
Executar cada vez mais meus projetos artísticos e profissionais, conhecer pessoas, lugares e obras que me interpelem, aprender, ser professor, brincar com crianças, namorar, me divertir. Mas o mais importante, encontrar o equilíbrio entre tudo isso.











Vielas



Vielas



Vielas



Vielas


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Jaguar



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Limiar 1


Limiar 2



Suzana 2011

Suzana 2011


Instalação




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