segunda-feira, 23 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Fernando Reis Viana Neto.

Fernando Reis Viana Neto em seu ateliê.



Sem título Múltiplo Modelo Intervenção Urbana Rio de Janeiro. Coleção Maria Helena Fonseca.



Intervenção Urbana. Bruxelas


Não Ego (2009) Técnica mista 150x190 cm. Coleção particular.


Inside-Dor (2009) Técnica mista. 150x190) cm.







Arcanjo (2009) Técnica mista.




Medo Sonho (2009) 160x190 cm.






Fernando Reis Viana Neto nasceu no Rio de Janeiro em 12 de novembro de 1973. Seu pai advogado e a mãe do lar. Após passar por difernetes esciolas, concluiu os estudos básicos no Colégio Bahiense. Graduou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Pontifícia Universiadade Católica. do Rio de Janeiro. Trabalhou em escritórios de advogados e no departamento jurídico de algumas empresas. Cursou o MBA em Gestão Ambiental na Universidade Gama Filho. Entre 1992 e 2001 estudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Por oito anos, Fernando frequentou o Casarão da Lapa, importante endereço das artes plásticas carioca nos anos 80. Pelo número 16 da rua Visconde de Paranaguá passaram nomes importantes como Celeida Tostes, José Bechara, Daniel Senise, Ângelo Venosa, Luiz Pissaro, Adriano Melhen, Cláudio Pedro Lacerda e muitos outros artistas, criando uma ambiente propício a troca de idéias e o cescimento pessoal de cada participante. Membro flutuante do Coletivo Sonoro do Edifício Galaxi com Marco Raphael e Audrin Santiago entre outros. Exposições individuais Artists Run Space, Bruxels e Espaço Furnas, RJ. Coletivas Durex, Espaço Sérgio Porto, Millenium Art Collection, Holanda, IV Duherdoff Kunst, Austria. Selecionador para o Salão Novíssimos do IBEU e de Pequenos Formatos, Belém do Pará, Salão de Arte de Piracicaba. Menção honrosa na exposição Universidarte.


Fernando como foi seu início na arte?
Sempre desenhei e escrevi minhas idéias. Após o colégio, as vésperas do vestibular de 1992, comecei a frequentar o curso livre de João Magalhães, com uma bolsa de estudos, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Tive, ainda, períodos de ensinamentos com os professores Katie van Scherpenberg, José Maria Dias da Cruz, Charles Watson e Paulo Sérgio Duarte, que contribuiram para minha formação. No Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro estudei sob a orientação de Ricardo Basbaum.

O seu maior orientador foi João Magalhães, como você avalia essa experiência?
Um grande orientador, um artista maior e uma pessoa adorável. Tem a capacidade de mostrar o caminho e ajudar a desenvolver as potencialidades dos alunos, respeitando o olhar de cada um sem interferência significativa, principalmente para aqueles engajados em uma linha de trabalho e já sabe o que quer. João é um ótimo conselheiro e possui uma gama de qualidades e conhecimentos diversificados.

Quais foram os artistas que influenciaram seu pensamento?
Acho ser o pensamento artístico formado pelas influências artísticas, mas, também, de todas as vivências do indivíduo na sociedade e na natureza. Vejo o artista como homem igual a qualquer outro. O pensamento de um artista, muitas vezes, é fruto de sua vida, das suas atitudes diante dela e da multiplicidade de conhecimentos que acumula sem qualquer hierarquia. Posso afirmar ser o desgastes das paredes nas ruas, as intervenções urbanas de todas as naturezas, as pichações, os grafites, os quadrinhso, o cordel, o rupestre, o Daniel Senise, a Adriana Varejão, toda a Geração 80, os alemães Emil Node, Baselitz, Hiefer e Beuys, os integrantes da Pop Art e Marcel Duchamp seguramente foram minhas influências.


Fale um pouco sobre sua pintura.
Venho de uma família convencional e ela não estimulava minha opção pela arte. No início, eu não trabalhava e havia enorme dificuldade financeira. Era impossível pagar cursos e difícil comprar material. Eu usava papéis de cartazes e panos (murim) de propoganda catados nas ruas. Fabricava a própria tinta com o material mais barato possível como o pó xadrez, outros pigmentos baratos, restos de tintas comuns, lápis e carvão. Eu trabalho com a figura humana, uma espécie de reflexão sobre a condição do homem em sociedade e sua permanência nas grandes cidades. Até 2001, trabalhava com papel reutilizado dos enormes outdoors espalhados pela cidade. Hoje, uso, ainda, papel, mas faço telas de lona ou murim em chassis de madeira. Elas são preparadas com cola , carbonato de cálcio e Suvinil. Considero-me um desenhista. Utilizo o desenho como base de meu trabalho em pintura. Uso letras ou frases dentro de um contexto pictórico e gráfico, algumas incluem mensagens. Minha pintura é figurativa e procura trazer a rua e seus personaens para dentro do meu trabalho. A série atual é realizada a partir de fotografias de meninos de rua feitas no local. O trabalho apesar das influências urbanas, sempre esteve na contrmaré da interferência urbana. Da rua para o ateliê e dele para os museus e galerias. Realizei paralelamente algumas intervenções urbanas, procurei levar a arte a um público maior e fora do circuito de arte e criar reflexões artísticas e sociais. Algumas foram feitas no Rio de Janeiro. Outras na Cidade do México e em Bruxelas.


Como você foi trabalhar na Bélgica?
Eu enviei meu currículo e meu protfólio para galerias do Rio de Janeiro e outra no exterior. Um curador de Bruxelas gostou do meu trabalho e convidou-me para tabalhar num ateliê durante um mês e participar de uma exposição em galeria comercial. Foi uma rica experiência de vida, conheci muitos artistas interessantes, visitei diferentes ateliês, galerias e museus e consegui levar um púbico bem razoavel ao meu ateliê e à minha exposição. Comercializei alguns dos trabalhos em papel realizados lá. Juntei um dinheirinho, que proveu meu sustento e permitiu visitar a Holanda e França. Vadiei bastante pelas ruas do Velho Mundo.


É possível viver exclusivamente de arte?
Tive sorte em poder comprar esse imóvel que serve de residência e ateliê, onde vivo com dificuldades. Não tenho esposa nem filhos o que torna o custo menos oneroso. Sobrevivo com o produto de vendas irregulares e de outras oportunidades surgidas. Já fui advogado militante, já trabalhei em empresas e escritórios e percebi trabalhar por um salário não fazia sentido. Preferi empregar melhor meu tempo, pensando, vivendo, fazendo arte e procurando viver por conta própria.

Que avaliação você faz sobre o preço das obras de arte no Brasil?
Acho os preços baixos. Alguns grandes nomes de nossa arte tem boa cotação.


Qual deveria ser o papel das galerias?
As galerias são muito fechadas. Há enorme dificuldade en mostrar seu trabalho aos galeristas. Poderia haver uma maior aproximação entre as duas partes. Concordo ser mais fácil e lucrativo comercializar as obras de artistas consagrados, mas acredito ser possível abrir uma espaço, dando oportunidade aos artistas emergentes e buscar outros nomes diferentes daqueles já reconhecidos pelo mercado. O lucro é fundamental, mas poderia haver algum interesse maior no desenvolvimento da arte.

O que você pensa sobre as Feiras de Arte?
Eu nunca participei, mas acho bastante interessante a inicitiva das Feiras. O conceito de feira fica prejudicado, pois são as galerias comerciais que levam seus próprios artistas sem nenhuma modificação do cenário geral. Deveria haver uma maneira de aproximar esse público, diferente daqueles frequentadores habituais, com a arte e os artistas. Isso não acontece e continua tudo como está, tudo muito fechado. Pode haver grande lucro, mas para o desenvolvimento da arte nada acontece Acaba sendo um acontecimento comercial.

Qual é a sua opinião sobre os curadores e os críticos?
Acho o papel do curador interessante quando ele tem uma opinião, um olhar diferente e uma conceituação própria. A figura do curador ficou prejudicada, pois hoje em dia há curador de todo tipo. Respeito muito o crítico preparado, ele traduz para o público o pensamento do artista, pode ajudar apontando os equívocos e os acertos. Esmiuça os trabalhos. Cito como críticos respeitáveis Paulo Sérgio Durate, Fernando Cochiaralle, Frederico Morais, Guilherme Bueno e Luciano Vinhosa entre outros.


Você considera ser importante a educação continuada do artista?
Vejo o artista como um ser pensante e em permanente evolução intelectual. Alguém com um olhar sobre a sociedade, que possa circular em diferentes meios e não somente entre os artistas. Considero importante cntinuar o estudo da arte e outra áreas afins, mas não é absolutamente nesessário. Acredito ser melhor ter uma formação cultural diversificada e profunda. Sou um eterno estudante. Adora Filosofia, Arqueologia, Sociologia, ocultismo, arte, história, estória, lendas e mentiras de botequins. Aprecio música clássica e poesia.

uais são seus planos para o futuro?
Descer até a esquina e tomar um café na padaria. Ter meu trabalho reconhecido. Continuar trabalhando. Conseguir o sustento para viver com o mínimo de segurança. Ser feliz.


Obrigado Fernando por ter me recebido e dividir com os leitores a sua visão da vida.
A entrevista com Fernado foi realizada em seu ateliê/residência localizada na rua Mario Portela numa bela e antiga construção. Um ambiente simples, enriquecido pelas obras de arte, livros, plantas e pela presença de dois índios astecas, hospedados por ele enquanto ministravam cursos sobre a cultura indígena . Sem conhecer Fernando, acompanhava seus comentários no Facebook. Logo, percebi ser alguém muito especial. Esse encontro único transformounos em amigos ou como ele disse no e-mail de ontem: "... com toda segurança posso dizer amigo. Muito curiosa a vida, alguns conhecemos há anos, outros, em poucos minutos, já se tornam irmãos".










































Nenhum comentário:

Postar um comentário