sábado, 21 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Fernanda Lopes

Fernanda Lopes jovem e vitoriosa curadora. Sua formação de jornalista a levou para a área cultural e como passo seguinte à curadoria. Participou da última Bienal de São Paulo sendo responsável pela sala do Grupo Rex. Faz parte da equipe de curadoria do Centro Cultural São Paulo. É autora do excelente livro: A Experiência Rex "Éramos o time do Rei" com a qual recebeu o prêmio Marco Antônio Vilaça. Obrigado Fernanda por sua participação.

 

Fernanda Lopes





Fernanda, conte algo sobre sua vida.
Eu nasci no Rio de Janeiro, em 13 de junho de 1979. Estudei no Isntituto Metodista Bennett e fiz Comunicação Social (Jornalismo) na PUC-Rio. Nessa época, eu acreditava que devia aproveitar as disciplinas eletivas que devia fazer na graduação para me especializar em alguma área no jornalismo. Comecei fazendo um curso de ênfase em Relações Internacionais, porque minha vontade era trabalhar com jornalismo político e econômico. Acabei descobrindo no meio do caminho o jornalismo cultural. Fiz algumas aulas de história da arte e estética ainda na faculdade. Quando comecei a trabalhar no site Obraprima.net, em dezembro de 2000, ingressei nos cursos de história da arte na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Durante alguns anos, escrevi para o site matérias sobre exposições e entrevistei artistas. Definitivamente, além de todos os cursos que fiz, essa experiência foi fundamental para a minha formação.

Você é carioca, estudou na PUC e na EBA, UFRJ e acabou em São Paulo. Por que a escolha?
Desde que comecei a trabalhar cobrindo a cena de artes plásticas, passei a vir com freqüência para São Paulo. Via exposições, acompanhava aberturas, visitava ateliês de artistas... Em determinado momento eu comecei a ter ofertas de trabalho mais interessantes em São Paulo, por isso me mudei. Estou aqui há dois anos, e há um trabalho como parte da equipe de curadoria de artes visuais do Centro Cultural São Paulo. Trabalhar em uma instituição tão interessante quanto o CCSP, com arte, música, cinema, teatro, dança e literatura, tem sido um grande aprendizado.


Que artistas influenciaram em seu pensamento?
Muitos, com certeza! Muito difícil escolher. Além de todos aqueles que fazem parte da história da arte, como Velazquez, Manet e Volpi, por exemplo, me influenciaram muito os artistas que já entrevistei, como Anna Maria Maiolino, Waltercio Caldas, Artur Barrio, Fernanda Gomes, Rosangela Rennó, Cildo Meireles, Paulo Pasta, Nelson Leirner, Dan Graham, Leon Ferrari, e outros. O Grupo Rex também foi muito importante para a minha formação. Durante três anos estudei o tema, o que me possibilitou mergulhar em um período tão importante para a arte brasileira (os anos 1960) e também em como pesquisar e abordar um tema.


Você escreveu um livro, que ganhou o Prêmio de Artes Plásticas Marco Antônio Vilaça, A experiência Rex "Éramos o time do Rei" resultado de seu trabalho de tese, por que a escolha do tema?
A primeira vez que ouvi falar do Grupo Rex foi em 2002, quando recebi o material de divulgação de uma exposição individual do Nelson Leirner, junto com o livro Arte e Não arte, de Tardeu Chiarelli, sobre a obra do artista. Uma parte de um dos capítulos falava rapidamente sobre a atuação fo grupo – principalmente a ação final, quando Nelson fez uma exposição que as pessoas podiam levar as obras para casa se conseguissem tira-las da galeria. Fiquei muito interessada nessa história e quando comecei a pesquisar mais sobre o grupo, vi que não existia nenhum estudo específico sobre eles. Foi quando decidi transformar o Grupo Rex em meu objeto de estudo primeiro na Especialização em História da Arte e da Arquitetura no Brasil, da PUC-Rio, e depois no Mestrado em História e Crítica da Escola de Belas Artes da UFRJ.

Na última Bienal de São Paulo, você foi a curadora do trabalho sobre o Grupo Rex, como foi a experiência?
Foi um desafio pensar em uma curadoria para uma exposição do porte da Bienal, assim como foi um desafio transformar um estudo de três anos em uma exposição. O que mais define esse grupo enquanto grupo não é uma produção plástica assinada coletivamente, nem uma afinidade estética. Ao contrário, cada um dos artistas vinha de influências e caminhos bem diferentes dentro da história da arte, o que torna a produção plástica bastante heterogênea. São preocupações comuns, que rondavam a produção geral da época, mas que se materializava de maneiras diferentes em cada um deles. Acredito que o Grupo Rex não esteja nas obras e sim no funcionamento, na ideia da galeria, nos eventos que foram criados. Isso é muito complicado de materializar em uma exposição, sem teatralizar. De qualquer maneira, essa foi a primeira exposição feita sobre o grupo. Espero que seja a primeira de muitas.

O venezuelano Luis Pérez-Oramas foi o escolhido para ser o curador da próxima Bienal de São Paulo, há vantagem em ter um curador geral estrangeiro?
Acredito que a vantagem de verdade seja a possibilidade de a cada edição um novo curador propor um novo recorte, um novo ponto de vista.

O que é mais fácil organizar uma exposição coletiva ou uma individual?
Não acho que uma é mais fácil que outra. A dificuldade no fim das contas é a mesma, porque no fundo a preocupação é a mesma: a melhor maneira de apresentar aqueles trabalhos, de estabelecer relações entre eles.


O Brasil não teve nenhum artista escolhido para a próxima Bienal de Veneza. O que aconteceu?
Não saberia responder... De qualquer maneira, não acho que essa ausência seja necessariamente ruim. É só um ponto de vista entre tantos.


No Brasil, as funções de curador e crítico se fundem, isso é bom ou mal?
Acredito que elas são naturalmente fundidas. Um curador é quase como um crítico, que lança suas idéias e leituras não em um texto, mas em uma exposição, seja individual ou coletiva.

Quais são seus planos para o futuro?
Eu quero entrar no doutorado daqui algum tempo. Tenho procurado um tema que me interesse a pesquisa por quatro anos.

Seu tempo livre é gasto de que maneira?
Tenho tentado acompanhar outras manifestações artísticas, como música e cinema. E descansar, claro.


Livro A Experiência Rex "Éramos Amigos do Rei"


Nelson Leirner um dos fundadores do Grupo Rex fotografada durante seu depoimento a Fernanda Lopes.

Adoração Altar Roberto Carlos Obra de Nelson Leirner, Grupo Rex, Bienal de São Paulo.



O Nome do Cadeado É: As Circunstâncias e Seus Guardiôes (1966) de Wesley Duke Lee Grupo Rex Bienal de São Paulo.










































--

Fernanda Lopes

http://fernandalopes.wordpress.com/

Nenhum comentário:

Postar um comentário