terça-feira, 17 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Fernanda Lago.


Fernanda Lago

Fernanda Lago jovem artista multimídia e performática, vive e trabalha no Rio de Janeiro. Obrigado Fernanda.

Fenanda, fale algo sobre sua história pessoal
Nasci no Rio, mas fui criada na serra de Petrópolis, em uma casa com jardim, onde adorava brincar de subir em árvores. Apesar de morar na serra minha família é toda carioca, então estávamos sempre no Rio na casa da minha avó que é uma amante das artes como meu pai que é artista.Sempre que estávamos no Rio, desenhávamos e brincávamos de teatrinho de fantoches inclusive fazíamos os personagens.

Como foi sua formação artística?
Tenho contato com a arte desde muito pequena, pois sempre acompanhava meus pais em vernissages e museus, mas minha formação formal começou realmente com o teatro em cursos livres que fiz dos 7 aos 18 anos, em Petrópolis, no Tablado e na Casa de Cultura Laura Alvim. Nessa época queria ser atriz, somente depois de uma viagem à Londres que minha idéia de arte mudou. Fiz alguns cursos de artes plásticas na Central Saint Martins , na Tate Modern e na Tate Gallery, com professores como Sarah Kent, crítica de arte do Time Out no curso “ Mito, Transgressão, Mortalidade e Anti-Herói”, e Rod Judhi de “Ideas Workshop”, curso sobre como desencadear um processo artístico, que foi fundamental no meu processo de me direcionar para as artes plásticas, e no curso de “Arte Bruta” com Colin Rhodes que me abriu um novo universo que tento compreender até hoje, e que me levou a fazer minha pós-graduação em Arte Terapia.Quando terminei a faculdade de Licenciatura em Artes Plásticas na Bennett em 2007 resolvi me dedicar integralmente as artes plásticas. Fiz alguns cursos no Parque Lage, com: Fernando Cochiarelli, Anna Bela Geiger, Franz Manata e Suzana Queiroga, mas tenho certeza que o meu maior aprendizado foi e ainda é com meu pai Marcelo Lago, ele é meu grande mentor e incentivador.

Que artistas influenciam seu pensamento?
Joseph Beuyes, Hélio Oiticica, Lygia Pape e Clarck, Ana Mendieta, Ana Hesse, Ernesto Neto, Marcelo Lago, Cildo Meireles, Louise Bourgouis, Iberê Camargo, Kandinsky entre outros.

Como você descreve seu trabalho?
Minha pesquisa se iniciou com uma discussão sobre o corpo e suas implicações objetivas e subjetivas. Mesmo que use muitas vezes da minha silhueta, que surge como personagem em fotomontagens e como objeto em esculturas e instalações, hoje meu trabalho está mais ligado à questões psíquicas e sensoriais, pois as discussões continuam ser sobre o corpo e uma redescoberta deste através da arte, criando instalações, penetráveis, site – specifics e performances, que de alguma maneira induzem o espectador a uma experiência introspectiva, através de experiências sensoriais como nos últimos trabalhos como: “Fluting”, uma vídeo-instalação interativa, uma torre de seis metros de altura e de dois metros e oitenta por dois metros e oitenta de base, colchões d’água e projeção audiovisual o espectador é a parte fundamental , pois tudo acontece quando ele penetra na torre, ou no trabalho “Espaço Sagrado”, onde a pessoa que está dentro vê o que está acontecendo fora e quem está fora não vê dentro, através de um jogo de luz, seria um local, um canto particular que convida a um relaxamento, ao mesmo tempo uma reflexão do entorno, visto por entre a trama do voial. Esse trabalho faz parte, junto com a performance “ A Alma da Obra de Arte”, performance lúdica em que repito continuamente a frase “A Alma da Obra de Arte, A Alma da Obra de Arte, A Alma da Obra de Arte.....” , com melodia de Canto Gregoriano, como um mantra, até atingir um estado de transe ao mesmo tempo que desprendo as “almas”, feitas de filó, do meu corpo e as arrumo cuidadosamente no chão. Esses dois trabalhos foram mostrados na minha última exposição individual, que ainda pode ser vista até o dia 26 de novembro, no Espaço Jabutipê, em Porto Alegre, na Rua Fernando Machado, 195.

Além do estudo da arte, o que influencia em sua produção?
Então, como falei acima a minha produção está extremamente conectada ao meu inconsciente, portanto além do estudo de arte, psicologia e mitologia estão muito presentes em minha pesquisa, pois as questões da psique são uma busca constante em meus trabalhos.

Você tem uma rotina de trabalho?
Não. Meu processo não é como muitos colegas pintores, que cada dia tem um novo embate com a tela e se habituam a ir todos os dias no atelier pintar um pouco, no meu caso as obras surgem as vezes em sonho, já prontas, depois eu tenho um embate com o material, detalho todas as etapas e me viro para concretizá-las. Esse processo, da idéia até a execução, normalmente é demorado e ardo, principalmente pelas grandes dimensões de alguns de meus trabalhos que tem que se adequar ao local da exposição, o trabalho se modifica conforme o espaço dado. Hoje estou aprendendo a fazer maquetes das obras, para ter uma materialidade do trabalho antes da exposição.

Você escreve sobre os trabalhos?
Normalmente não.

O que você pensa sobre os salões de arte? Alguma sugestão para aperfeiçoá-los? Muito boa a iniciativa dos salões de arte, eu mesma já participei de um salão, os Novíssimos do Ibeu, e acho que eles reconhecem o trabalho do artista dando prêmios em exposições ou dinheiro, o que é necessário para qualquer um viver. Mas acho que esses salões funcionam muito para quem tem uma produção constante em grande escala, pois eles sempre querem trabalhos inéditos e com uma escala razoável, o que comporta mais obras como pintura, desenho, fotografia e vídeo- arte.Trabalhos como instalações e esculturas além de serem caros para o transporte são mais difíceis de serem montados, dificultando sua participação em salões.
O que é necessário para um jovem artista ser representado por uma galeria?
Ter sorte eu acho, pois não sou representada por nenhuma galeria ainda.

É possível viver de arte no Brasil?
Espero que sim, adoraria viver de meu trabalho.

A mulher e o homem estão em igualdade no mercado de arte?
Sim, acho que cada vez tem mais mulheres na arte, veja as grandes exposições feitas sobre mulheres ultimamente nos museus, como as da Louise Bourgeois, Ana Mandieta, Sophie Calle , Anna Bella Geiger, entre outras.

Quais são seus planos para o futuro?
Quero fazer minha residência em arte na Malásia e Indonésia ano que vem junto com a artista Pilar Rocha, montar um atelier com meu pai e irmão no Rio e terminar minha pós de Arte Terapia e é claro, continuar criando e expondo.

O que faz nas horas livres?
Fico na preguiça, vendo filmes, trocando com amigos, lendo e cozinhando.




Instalação de Fernanda Lago no Rio Cine 2011. Fotografia de João Bosco de Almeida.



Performance.


Espaço Sagrado.

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