quarta-feira, 18 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Felipe Góes




Felipe Góes

Felipe Góes jovem artista paulista com uma consistente obra figurativa contemporânea. É representado pela Galeria Transversal, SP. Obrigado Felipe, muito sucesso.

Felipe, conte um pouco de sua história. Como você começou a se interessar pela arte e qual sua formação artística?
No principio, foi uma formação meio solitária. Estudei na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie (2001-2006), onde tive a oportunidade de ler os livros de arte que retirava na biblioteca. Nessa época eu já pintava e expus alguns trabalhos em eventos artístico-culturais organizados pelo diretório acadêmico. Após a formatura, assisti ao curso de História da Arte com o Rodrigo Naves, e fiz uma viagem à Europa para entrar em contato direto com as obras. Fiquei marcado por essa experiência e a partir de então a arte passou a ocupar cada vez mais espaço no meu dia-a-dia. Lembro até hoje do impacto quando vi os trabalhos do Rothko na Tate Modern de Londres. Quando voltei dessa viagem em 2008 me matriculei no curso de pintura com o Paulo Pasta e assisti algumas disciplinas na Pós-graduação da ECA-USP. Desde então participo com freqüência de exposições coletivas e salões de arte, tendo realizado minha primeira exposição individual em 2010 na Casa Galeria.
No começo de 2011 passei a integrar o elenco de artistas da Galeria Transversal, que possui uma proposta muito interessante de representar tanto jovens artistas como artistas consagrados. Esta experiência está sendo fantástica e é fundamental para minha formação e para o avanço do meu trabalho.

Que artistas influenciam seu pensamento?
Sou particularmente atraído por trabalhos em que simplicidade de meios e potencialidade poética caminham juntas. Acho que faço parte de uma linhagem de artistas que pensam a pintura principalmente pelo viés da construção através da cor. Podemos estender essa analise até o inicio do Renascimento, mas creio que é com o Impressionismo e Pós-impressionismo que travo minhas primeiras influências: Monet, Cèzzane, Bonnard, Van Gogh, Gauguin e mais tarde com a pintura moderna de Matisse e Rothko. Na arte brasileira, considero fundamental a produção do Volpi e do Guinnard que exploraram com muita sofisticação e de maneiras um tanto diferentes o ideário de um Brasil popular, vasto e culturalmente muito rico.Na pintura atual, gosto muito das obras do Luc Tuymans e do Peter Doig.

Como você descreve sua obra e o que o inspira para construí-la?
Uma questão que está cada vez mais presente nos trabalhos é pensar as formas enquanto suporte de uma luz própria e produzida pelos contrastes e relação entre as cores. Diferente da idéia de luz e sombra que é a representação da natureza, essa outra forma de pensar o trabalho enquanto fonte de luz leva-me no momento da pintura, a uma busca exaustiva pela forma e cor que tenha o potencial de tornarem-se o suporte dessa luz. Esse é o grande mote do meu trabalho atual, e o que me faz seguir adiante.

O que é ser um pintor no século XXI?
Essa é a pergunta a se fazer diariamente, seja para um pintor, professor, economista...No meu caso, é lidar com uma tradição milenar da historia da arte e também com a revolução dos meios de comunicação que se processa na atualidade.Num mundo onde a disputa por atenção é intensa, o marketing e diversos tipos de mídia chegam até nós de forma cada vez mais agressiva e não solicitada. Somos bombardeados por informação superficial. Nesse sentido, parece pouco produtivo optar por um meio de expressão como a pintura, mas a verdade é que não comprei essa briga e meus trabalhos não são afirmativos de uma verdade ou narrativa qualquer. Estão à disposição de quem puder e quiser refletir sobre outras possíveis aparências da imagem na contemporaneidade. Assim, prefiro manter uma relação mais individual com o trabalho, com uma reflexão um tanto intimista e pessoal, como se estivéssemos recordando situações ao folhear um álbum de família.

Qual sua opinião sobre os salões de arte?
Acho que os salões de arte e editais de ocupação são uma oportunidade para a população de diversas cidades do Brasil entrarem em contato com artistas de outras regiões. Estas exposições são fundamentais para a formação do público de arte contemporânea, e servem de incentivo à produção de jovens artistas.

O que você faz nas horas vagas?
Não gosto muito de balada, nem de ver televisão. Prefiro viajar, visitar exposições, passear no parque, ir ao bar para conversar e tomar cerveja com os amigos.



Pintura 126 (2011) Acrílica sobre tela. 50x60 cm.



Pintura 123 (2011) Acrílica sobre tela 50x60 cm.


Pintura 115 (2011) Acrílica sobre tela 70x90 cm.


Pintura 116 (2011) Acrílica sobre tela 70x90 cm.



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