sábado, 21 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Divino Sobral

Divino Sobral


Divino Sobral artista goiano autodidata, utiliza de diferentes meios para criar sua significativa obra. É, também, curador. Paticipou das Bienais do MercoSul e de Havana e foi curador do 5o e do 6o Salão Nacional de Arte de Goiás e do Salão de Arte Contemporânea do Centro- Oeste de 2010. Recebeu o prêmio Marco Antônio Vilaça-FUNARTE, 2009. Sylvia Werneck escreveu sobre ele:

"O artesanal está presente em toda a obra de Divino Sobral, na qual o manuseio dos materiais é condição inerente a seu fazer artístico. Seu processo criativo é sempre longo, trabalhoso, uma sucessão de construções e desconstruções, da concepção até a produção das peças e instalações. Une-se a isso seu interesse pela cultura vernacular, que expressa as tradições e emoções humanas mais singelas, aquelas que pertencem a toda gente, e que não importa o quanto avancemos no futuro, seguirão existindo.
Seus “pés de cor” encerram em suas superfícies de lã camadas de memórias, evidenciam a passagem do tempo, do crescimento e do amadurecimento. Mais ainda, materializam a cor, oferecendo uma outra dimensão para uma espécie de pintura que se dá nas relações natureza/homem, ontem/hoje, popular/erudito".




Sylvia Werneck


Divino fale algo sobre sua vida pessoal
Eu nasci em 1966, no começo da noite, em uma pequena cidade chamada Santa Rosa de Goiás; mas fui registrado na manhã seguinte em Goiânia, para onde fui levado por motivos de saúde. Sou o sétimo de uma família de oito filhos. Vivi minha primeira infância nesta cidade pacata, sustentada pela agricultura e orgulhosa de sua terra fértil. Quando eu tinha cinco anos de idade meus pais se mudaram para Goiânia. Acho que este período foi definitivo na formação de meu imaginário e no meu campo de interesse no orgânico, no que está entranhado na terra.
Sou herdeiro de uma cultura caipira formada pelo cruzamento de famílias goiana (pelo lado de meu pai) e mineira (pelo lado de meus avós maternos). Acho que essa formação me dá elementos interessantes para colocar em meu próprio trabalho. A minha infância foi experimentada com liberdade, e ao mesmo tempo em que eu era capaz de ser um menino atirado era também muito tímido e retraído. A escola sempre foi algo que me fascinou, porém foi algo também traumático, talvez pelo fato da escola não saber trabalhar com alunos que possuem suas particularidades. Meus estudos foram realizados em escolas públicas e privadas e foi na escola que pude ler o primeiro livro de História da Arte.
Entre os anos de 1988 e 1990 integrei o Grupo Rinoseranti de Pesquisas Teatrais, que uniu atores, artistas visuais, músicos e bailarinos. Trabalhei neste grupo como ator e realizamos muitos espetáculos influenciados pela linguagem do Teatro do Absurdo. Após a morte do nosso diretor, deixei o teatro e concentrei meu interesse no conhecimento da minha linguagem plástica. Completei duas décadas de trabalho como artista plástico. Com o passar do tempo eu já fiz de tudo na área de arte. Me desdobro em múltiplos papéis: além da minha obra realizo curadorias de mostras e salões, escrevo textos críticos, faço projetos de expografia para exposições, elaboro projetos de ações educativas, e agora estou prestes a assumir a direção de uma instituição. Acho que isso me dá uma visão ampliada dos problemas presentes no circuito brasileiro de arte.

Como a Arte entrou em sua vida?
Desde menino eu sempre soube que seria artista. Os meus primeiros contatos com a arte foram no Museu de Arte de Goiânia e nas exposições montadas na cidade durante os anos 80. Naquele tempo o acesso às informações artísticas do eixo Rio São Paulo era bastante difícil, então o que eu via aqui tinha uma força formadora. Foi vendo obras neste ambiente que eu decidi que seria artista, e depois quando vi a Bienal pela primeira vez, o impacto foi decisivo para que eu tomasse os rumos da linguagem contemporânea.

Qual foi sua formação artística?
Faço parte de um grupo, ou “tradição”, de artistas goianos que se formaram de maneira autodidata. É estranho falar de autodidatismo, porque na verdade você sempre aprende algo com alguém. Apesar de existir desde o início dos anos 60, a Faculdade de Arte em Goiânia não conseguiu despertar o interesse dos artistas, desde a geração mais velha, como a do Siron Franco, até a mais nova que a minha. Eu não tenho uma formação em arte. No início fiz algumas oficinas rápidas com artistas que passavam por aqui, como o Ricardo Basbaum, Lygia Pape, Shirley Paes Leme. Foram contribuições valiosas para mim. Posso dizer que minha formação se deu no meu ateliê e na biblioteca, onde pude estudar textos nas áreas de estética, história e crítica de arte, fundamentais para o meu desenvolvimento como artista.
Minha formação foi e continua sendo a pesquisa solitária no ateliê, o fazer, o pensar, o refletir, o estudar e o escrever e o agir de maneira integrada. Mantenho um sistema contínuo de investigação do campo plástico e de questionamento conceitual, que me forçam a manter a idéia de formação ainda viva nas minhas necessidades.


Que artistas influenciaram seu pensamento?
Talvez, por eu gostar muito de História da Arte são tantos os nomes que eu acho que me influenciaram. Há artistas que me influenciaram na postura, como o Basbaum, a Lygia Pape e o Paulo Bruscky; outros pelo inusitado de suas especulações com diferentes materiais como Joseph Beuys, Eva Hesse, José Resende e Nuno Ramos, e mais outros pela força e delicadeza de suas poéticas como Paul Klee, Leonilson e Rosângela Renó. Gosto muito da vertente conceitual e de trabalhos que utilizam a palavra para diversas finalidades, e gosto também da idéia do artista como intelectual. Aprendo muito com as obras do Villa-Lobos e do Astor Piazzolla por mesclarem elementos populares com elementos eruditos, por serem simples e complexas ao mesmo tempo e por traduzirem sentimentos enormes, potentes na arte. Também a música do DJ Dolores me coloca pra pensar muitas coisas que gostaria de inserir no meu trabalho.
A questão da influência de um artista específico sobre mim é muito relativa e muda bastante com o tempo. Atualmente gosto muito de alguns artistas chineses contemporâneos; vejo que eles trazem reflexões que considero muito atuais para nós também.




Como você descreveria seu trabalho?
Para mim é complicado descrever meu trabalho do ponto de vista de um estilo formal porque em cada época eu trabalho com questões diferentes. Eu empreguei suportes e materiais como tela, papel, madeira, livro, borracha, ferro, cobre, cabelo humano, grama seca, sabão artesanal, algodão, palha de aço, agulha de costura, peças de roupas, galhos de jabuticabeiras, fios de lã; mudei de uma linguagem para outra, realizando obras em objeto, pintura, bordado, aquarela, escultura, instalação, fotografia, vídeo, performance e intervenção na paisagem. Apesar da diversidade de categorias, suportes e materiais, o que alinhava minha produção é a investigação da memória e dos efeitos causados pela passagem do tempo sobre as coisas do mundo. A memória individual e coletiva, a relação entre o esquecimento e as perdas, a duração e as gradações da lembrança, o cruzamento da memória com o sonho e com a história, o palimpsesto como produto residual de distintas narrativas, o envelhecimento e as manchas do tempo são questões que se desenvolvem em meu trabalho. Com o passar dos anos é que eu comecei a entender com mais profundidade o sentido de meu trabalho, a tomar consciência dos traumas que o move de um lugar para outro. Neste sentido, percebo que minha obra mostra a presença da estética sertaneja alimentando uma produção contemporânea. Acho que faço arte contemporânea caipira, que é produto de processos conceituais e poéticos que nada tem a ver com a noção de ingenuidade ou com o estereótipo caipira do “Jeca Tatu”. É bem mais a ampliação e distensão do entendimento sobre a contemporaneidade em direção a campo ainda não explorado.





Você mora em Goiás, fora do eixo Rio São Paulo, isso cria alguma dificuldade?
Claro! Qualquer artista que viva fora do eixo polarizador de arte no país sofre dificuldades para tornar visível sua produção diante dos curadores e do mercado. Entretanto, eu acredito que viver fora do eixo me possibilita ter maior liberdade para criar o que quero. Acho que já passa da hora do circuito de arte no Brasil iniciar um processo de autoconhecimento, de investigação para formação de si mesmo. Programas e projetos de formação de artistas, de curadores, de produtores e de público deveriam ser acionados em todas as regiões para minimizar as enormes diferenças existentes. As dificuldades só podem ser vencidas com organização e profissionalismo. A boa arte brasileira está espalhada pelo país e não concentrada no eixo comercial.





É possível viver de arte no Brasil?
Para alguns é possível, para outros é apenas um sonho. Isto depende de muitas coisas que não necessariamente a qualidade do trabalho feito pelo artista. As manobras do mercado de arte são regidas por outra lógica. O artista no Brasil está sujeito a muita instabilidade que o leva do sucesso ao ostracismo. Você sabe que a obra de um artista importante como Waldemar Cordeiro ainda permanece fora de circulação, e que a obra do Paulo Bruscky só recentemente foi legitimada pelo mercado.
É preciso que o artista saiba tecer uma rede em conjunto com quem administra a venda de sua produção, que saiba reinventar o jogo, ter sua autonomia e preocupar com a fixação de seu trabalho no circuito e na História. Não vejo como responder a sua indagação sem pensar que é preciso também que as galerias aprimorem seus critérios, suas metodologias de trabalho e dêem transparência a sua situação fiscal.
É possível sim viver de arte e na minha visão a situação tende a melhorar com a ampliação do circuito institucional e de mercado, com os processos de formação do artista desenvolvidos pelas universidades, com a implantação de programas governamentais na área cultural, etc.



Qual sua opinião sobre os salões de arte?
Fui curador de duas edições de Salão Nacional de Arte de Goiás – Prêmio Flamboyant (2005 e 2006), também participei das comissões de seleção no salão citado (2004) e no Salão Nacional de Arte de Jataí (2005, 2009, 2010), no interior de Goiás, e agora estou produzindo o 1º Salão de Arte Contemporânea do Centro-Oeste. Estas experiências me levam a crer que os salões de arte ainda têm suas funções ativas no meio brasileiro.
A procura dos artistas, principalmente jovens, por eventos desta natureza é enorme. Sobretudo os artistas oriundos do eixo Rio São Paulo procuram muito os salões que realizamos aqui em Goiás. Observo que a participação majoritária é de artistas provenientes destes dois Estados e pergunto por que isto acontece, se no eixo os discursos institucional e crítico colocam que os salões são eventos anacrônicos? Os salões atualmente estão mais profissionalizados. Além do volume de seleção de artistas ser delimitada em regulamento, ocorre agora o pagamento de pró-labore aos artistas selecionados e as premiações não mais acontecem por categorias e por ordem classificatória; alguns salões ainda oferecem como premiações bolsas de residência. São fatos que mostram a tentativa de atualizar e aprimorar o formato salão. Os salões ainda são espaços abertos a emergência de novas gerações de artistas, destinados aos processos de renovação da cena e às apostas no porvir que podem muito bem darem certo. Na ausência de projetos sistemáticos articulados em todo o território e que visem dar visibilidade e suporte a emergente produção brasileira, o salão ainda é um modo eficaz de operar. Por isso é lamentável que os salões também estejam sempre à deriva das políticas oficias, que os criam ou os desmontam em função de oposições políticas e não da continuidade e do amadurecimento dos projetos culturais.

O que você pensa sobre as galerias virtuais?
Prá te dizer a verdade, eu não tenho um conceito formulado a respeito de galeria virtual porque nunca tive experiência com este modo de mercado. A internet é uma ferramenta maravilhosa que dilata nossa capacidade de ação, por isso creio que deva colaborar no trabalho das galerias.



Que dificuldades tem um artista jovem em conseguir ser representado por uma galeria?
São inúmeras as dificuldades, mas é difícil responder a esta pergunta. Lembro de um texto da Aracy Amaral chamado “Purgatório do Artista”, publicado há uns vinte anos, e que analisa com propriedade as dificuldades que o artista encontra em seu caminho. Atualmente existem muitos artistas e o número de galerias não consegue dar vazão ao contingente de produção. Além do mais o olhar do mercado de arte no Brasil é ainda bastante limitado e estereotipado em determinadas linguagens. O Brasil é um país criativo e de muitos artistas, mas não consegue legitimar e sustentar seus criadores. Hoje em dia as coisas são muito confusas; mas existem artistas e Artistas; galerias e Galerias. Parece que o artista jovem nem sempre tem que obter visibilidade e reconhecimento no circuito institucional, e nem mesmo fazer uma obra adensada esteticamente e culturalmente, para ser um sucesso de mercado em determinadas galerias; basta pertencer a universo social que lhe abra as vendas. Porém, em outros casos o nível de exigência quanto a excelência da obra é determinante para a inserção em galerias que se preocupam com o valor cultural do que vende; mas estas são poucas. Em ambos os casos o artista tem que ser de interesse da galeria, falar a sua linguagem.



Como você se mantém atualizado?
Sou um curioso, um pesquisador que fuça tanto o presente quanto o passado. Leio bastante sobre arte, mas não só sobre a atualidade da arte. Para mim a preocupação com a informação não sobrepõe a preocupação que tenho com a formação (que é o que chamo de estudo de textos e obras fundamentais).Hoje a internet é uma ferramenta que me permite transitar por redes de informações muito diversas, desde as superficiais até algumas aprofundadas. A conversação com artistas sempre foi para mim a maneira mais interessante de me atualizar, porque na verdade antes das coisas irem parar nos textos, nas matérias de jornais e revistas, ou nas exposições, elas estavam antes nas cabeças dos artistas. Tenho muitos amigos artistas em todos os pontos do Brasil e nos comunicamos quase diariamente, falamos de muitos assuntos, trocamos informações, discutimos nossas obras, ajudamos uns aos outros na reflexão sobre nossos trabalhos. Viajar é outro modo de me atualizar, de fazer contatos com pessoas bacanas, ver mostras interessantes e comprar livros e revistas.



Além dos estudos, o que influencia a formação de um artista?
O tema da formação do artista é algo ainda muito aberto no circuito de arte e no círculo de universidades no Brasil. Eu que não tenho uma formação acadêmica e que escolhi o que estudar e o que experimentar, acho que as coisas podem ser melhor encaminhadas quando se tem um objetivo.
O artista contemporâneo reúne em si muitos papéis e áreas de conhecimento. Conheço artistas muito bons que são formados em geologia, botânica, arquitetura, engenharia, jornalismo, medicina, direito ou muitas outras áreas. A falta de formação em arte não interfere na fundamentação da obra ou no sucesso da carreira de um artista. Leva muito tempo para que o artista possa formar sua linguagem plástica e seus próprios procedimentos artísticos, e isto, eu acredito, só ocorre como resultado da busca infinita pelo desconhecido.



O que representa a Bienal para a arte brasileira?
Apesar das sucessivas crises por que vem passando, a Bienal é ainda o mais importante cenário para a arte brasileira. Sua função é muito ampla diante do continente por que responde. Penso que a Bienal é na maioria das vezes entendida somente como um evento de interesse paulistano no cruzamento com a arte internacional, preferencialmente norte-americana ou européia. A Bienal se esquece do país enorme que é o Brasil, esquece que a inteligência plástica nasce em todo lugar e que o público se desloca dos locais mais distantes para ver a exposição.
Desde suas primeiras edições que a Bienal é responsável pela introdução de muitas questões artísticas no Brasil, e ainda hoje isto ocorre, mas acredito que dependendo da sabedoria do curador a Bienal possa introduzir no cenário internacional questões inicialmente formuladas pela arte brasileira. Também vejo como função do curador da Bienal estruturar a representação brasileira na exposição de modo que sua visibilidade seja pelo grau de excelência, nivelando-a com a arte internacional – manobra que algumas vezes não ocorre.
Décadas atrás, para o artista brasileiro, participar da Bienal abria a possibilidade de consolidar sua carreira. Hoje para alguns é até um entrave porque isto não é mais garantia de prestígio no circuito e muitos agentes entendem que ele não pode mais se aventurar por exposições de menor interesse. Surge uma barreira. Algo então está bastante errado. Alguns curadores escolhem o artista na hora errada, selecionam a obra indevida, realizam uma montagem desastrosa, e tudo isto acontece em função da autoridade do tema e da força do discurso curatorial. Isto pode prejudicar o artista. O trabalho da Bienal é enorme diante das carências dos profissionais brasileiros, e aqui eu incluo não apenas artistas, mas também curadores, críticos, historiadores, professores, produtores, arte-educadores. A instituição ainda tem que aprender a desenvolver suas várias funções culturais.


Quais são seus planos para o futuro?
O futuro é o inesperado. Até Julho cuidarei da produção do 1º Salão de Arte Contemporânea do Centro-Oeste. Mas nos próximos quatro anos estou comprometido com o Museu de Arte Contemporânea de Goiás, cuja direção assumirei daqui uns dias. O desafio será administrar todas as atividades do ateliê e da pesquisa com o Museu.
No ateliê trabalho no projeto da instalação “Fui no Itororó beber água, não achei” que se relaciona com a arquitetura antiga e com a comunidade de um bairro de São Paulo, e iniciei uma série nova de objetos (que se assemelham a pinturas) com fios de lã aprisionados; já iniciei uma escultura com jabuticabeira e fios de lã que será apresentada numa mostra no Rio de Janeiro. Também estou em processo de organização de um livro que tratará dos vinte anos de minha trajetória. Meus planos para o Museu de Arte Contemporânea são muitos. Terei que fazer a transferência da antiga sede para a nova, no Centro Cultural Oscar Niemeyer, estruturar a reserva técnica e criar estratégias que permitam a pesquisa dentro do museu, estabelecer projetos de ampliação e de catalogação do acervo, desenvolver programas de exposições que apresentem as bases históricas e os desdobramentos da arte contemporânea.


O que você faz nas horas vagas?
Tenho poucas horas vagas, pois sempre invento algo para fazer nas horas que todos chamam de vagas. Quando quero descansar ouço música, quando quero me divertir saio com os amigos.



Recordações de uma Paisagem não Vista (2009)
Onde o Tempo se Bifurca (2010) Prêmio Marco Antônio Vilaça
Onde o Tempo se Bifurca (2010) Fronha bordada. Prêmio Marco Antônio Vilaça.
Onde o Tempo se Bifurca (2010) Prêmio Marco Antônio Vilaça.
Coral de Árvore (2010) Intervenção urbana.
11000 Anos. Resina de Poliester.
Adonde Queima o Lugar Permanece. Performance.

Jardim das Jabuticabeiras






















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