sábado, 21 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista David Rosado

David Rosado
David Rosado



David Rosado nasceu em Évora. Vive e trabalha em Lisboa. No Rio de Janeiro é representado pela TAC galeria. Trabalha com desenho, pintura, objeto e instalações. Vamos conhecer seu pensamento e sua obra. Israel Guarda fala sobre sua pintura. Obrigado David e muito sucesso.



Fale algo sobre sua vida pessoal.
Nasci a 03/05/1976 em Évora, Portugal. Fiz o curso em Artes Plásticas da Universidade de Évora.Vivo e trabalho em Lisboa como artísta plástico para várias galerias de arte contemporânea. O meu pai é Eborense e trabalhava na Câmara Municipal, a minha mãe é natural de Reguengos de Monsaráz e trabalhou no hospital de Évora.

Como foi sua formação artística?
A minha formação Artística começou atravês do meu avô e tio que estavam ligados ao desenho e à musica e desde muito cedo despertei para essas duas vertentes artísticas, praticamente segui o caminho e pisadas criativas que a minha família me induziu, seguindo sempre a via artística na escola e na Universidade. Penso estar sempre em formação e acho que muita da minha formação veio do background musical que trabalhei durante 14 anos.

Que artistas influenciam seu pensamento?
Ângela Ferreira, Maurizio Cattelan, António Olaio, David Shirgley, Julião Sarmento, Vik Muniz, RaulMourão, ELIZABETH JOBIM , Tatjana Doll, John Baldessari, David Lyle, Greg Haberny, Carnilos Farinha, Allison Shulnik, David Hilliard, San Poggio, Emil Holmer, Masaya Chiba, Thierry Guetta, GÜNTHER FÖRG, Helena Almeida, NOBUHITO NISHIGAWARA...etc.Tudo me influência....

Fotógrafo, pintor e escultor, alguma preferência? Como essas habilidades se comunicam?
Não tenho preferência por nenhuma area, gosto de todas por igual, apesar de me expressar melhor na bidimensionalidade, acho que todas as areas juntas se completam, por vezes chego a ter ideias para esculturas que partiram de um registo bidimensional (Pintura) e vice versa que completo com fotografias ou videos na secção expositiva.A minha perspectiva é sempre muito variada no que toca a materiais e sua apresentação, daí não pensar no individual (Objecto / Material) mas sim no colectivo de peças a apresentar, dependendo da mensagem que tenciono transmitir às pessoas.

Como você descreve sua obra?
Descrever a minha obra é algo de muito dificil para mim, é quase como me descrever a mim como pessoa com tudo o que isso acarreta de defeitos e qualidades, apesar de achar que a minha obra é como fazer um batido de frutas de diferentes cores e sabores “cinema, musica, max-media, ilustração, tribos urbanas, conceitos, memorias, etc... que depois de misturado, o torna bem mais facil de digerir.;)

Como você faz para divulgar a sua obra?
Utilizo as redes sociais, blogs, websites, Galerias de arte contemporânea...Acho que todos os artístas o fazem de forma natural de modo a passar a informação o mais fiel possivel ao imaginado e criado.

Além dos estudos sobre arte que outros estímulos influenciam em seu trabalho?
A rua, as pessoas os lugares, musicas, viagens, livros, tudo me influência de modo positivo e tudo serve de experimentação criativa para atingir um melhor resultado.Basicamente tudo o que me faça viver.

Você tem uma rotina de trabalho?
Sim muito rígurosa, entre 7a 8 horas diarias no atelier.

Como está a arte contemporânea em Portugal?
Num ponto de vista muito pessoal penso que a Arte contemporânea em Portugal está a viver momentos de grande mudança e de grande turbulência criativa, apesar do meu país estar sem um rumo definido as pessoas parecerem desorientadas e com alguns problemas sociais e de forum estrututal, penso que num futuro proximo vamos olhar para tráz e dizer, que talvez tenha sido uma das melhores fases que Portugal terá passado a niveis criativos, tendo em conta que tudo está a ser absorvido de maneira rapida e como informação adquirida, provocando assim uma inquietação positiva na criação individual.
Tudo anda lado a lado no que toca aos criadores e o produto criado deixando no ar uma liberdade para fazer tudo e explorar tudo sem barreiras, penso que já passou o romantismo artístico, que os nossos antepassados viveram e enalteceram nas obras e no estilo de vida artístico.


Participar de Bienal está entre seus projetos?
Sim está, é uma das minhas metas de futuro a alcançar.

Quais são seus planos para o futuro?
Continuar a pintar e criar com a mesma liberdade que o fiz até hoje.

É possível viver de arte?
Sim, é possivel depois de muito trabalho e perserverança.

O que você faz nas horas vagas?
Tento estar com a minha familia e amigos,Ver tudo o que consiga e passear por todo o lado.
e em especial divertir me (risos)








Paradise
















Por Israel Guarda

O universo da pintura de David Rosado é habitado maioritariamente por figuras provenientes do cinema mas não só, outras figuras sejam animação e ou animais são igualmente convocadas nas suas obras. Estes elementos figuram sistematicamente, a par de pequenas incisões de paisagens ou nuvens, nas suas telas, sendo difícil dissecar cada um deles ou individualizá-los, eles compõem um complexo mosaico de composição e intrinsecamente um enredo próprio. Os pequenos padrões geométricos assim como as anotações ou mensagens subliminares reforçam esta ideia e contribuem para um conjunto globalmente preciso.
Não se pense, que apesar da coerência formal da composição o seu significado se oferece prontamente ao espectador. O artista faz questão de iludir as primeiras impressões, seja na intensa elaboração dos fundos, que detêm uma notável expressão, seja pelas combinações aparentemente aleatórias das figuras. Com efeito à primeira vista as figuras não têm qualquer relação, mas numa leitura mais atenta emergem pequenas e subtis conexões que configuram um intricado mapa conceptual. Para exemplificar este raciocínio veja-se o modo como se apresentam os personagens em posições cómicas, em situações de comoção, em êxtase ou apáticas, agitadas pela aparição súbita de figuras de animação, animais ou de elementos gráficos: tudo flui como num jogo lúdico pensado como estrutura viva e capaz de dinamização; como nos murais que por vezes vemos em determinados locais da cidade, onde a sobreposição múltipla de grafitos e representações parecem ganhar uma actualização renovada a cada dia ou semana; Sentimos igualmente uma sensação semelhante à medida que fazemos um traveling através das várias pinturas de David Rosado, percebendo que as relações não se restringem ao espaço do quadro. É neste limiar que reside a capacidade do artista em abstrair-se de contar uma história capital, optando por ver as coisas através de vários tempos simultâneos, como se procurasse dar-nos conta de múltiplas realidades a acontecer.
A apropriação da técnica de “dripping” sugere aqui uma generosa menção à cultura urbana e à cena do grafiti, que podemos explorar nos interstícios urbanos das grandes cidades. A analogia com este trabalho prende-se no modo como estes espaços desiguais, sujos, periféricos, “não lugares”, constituem paradoxalmente um suporte de manifestações, de identificação de grupos, de representações e construções de uma certa forma de identidade sujeita a códigos e sinais assimiláveis pelos seus próprios elementos. O artista explora na pintura e instalações as ténues fronteiras dessas dimensões urbanas marginais e a técnica dripping ajuda-nos a fixar esse território esguio, como se o olhar se processasse através da ideia de transição, conduzido através da tinta escorrida que para além de cumprir o efeito de gravidade, interfere e justapõe-se sobre os restantes elementos e figuras na tela. O plano geral obtido não destaca uma figura particular, embora essa leitura ou apreciação caiba a cada um julgar, mas introduz a questão subjectiva que torna o nosso sentido imediato “menos dado”, mas que tem a capacidade por outro lado de nos retirar do campo estritamente objectivo da representação como tal.
A concepção geral fundamenta-se na construção deste processo, que passa por escolhas arbitrárias a princípio, desligadas entre si porque não determinadas, que a pouco e pouco estabelecem combinações, uma ordem potencial que emerge de adições sucessivas e de um reequacionar constante do conjunto global, através do apagamento e sobreposição, num olhar renovado e atento sobre a cultura urbana de rua, procurando por esse intermédio o seu próprio espaço e enquadramento na criação artística, por meio de um género clássico como a pintura.































































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