terça-feira, 17 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Bruno Borne




Bruno Borne


Fale algo sobre sua vida pessoal.
Nasci e vivo atualmente em Porto Alegre. Meu pai é arquiteto e minha mãe trabalhou como decoradora. Quando pequeno, morei por 4 anos em Barcelona no final dos anos 80. Lá viajávamos muito e tive a oportunidade de conhecer praticamente toda a Europa. Também aprendi espanhol e catalão. Foi uma grande experiência. Me formei em Arquitetura e Urbanismo e em Artes Visuais, ambos pela UFRGS. No momento curso mestrado na mesma instituição.



Como foi sua formação artística?
Quando criança, fiz cursinhos de arte, desenho e caricatura. Sempre tive facilidade e gosto pelo desenho. Que, acredito, me levou a escolher a cursar Arquitetura e depois Artes Visuais. Mas acho que uns dos momentos mais importantes de minha formação foi no final dos anos 80 quando meu pai comprou meu primeiro computador. Foi o que me despertou o interesse pela informática e tecnologia que hoje é minha ferramenta de trabalho. No Instituto de Artes da UFRGS comecei a ter mais conhecimento e interesse pela Arte Contemporânea



Que artistas influenciam seu pensamento?
Gosto muito dos renascentistas holandeses principalmente Van Eyck e Vermeer; das ilustrações e gravuras de Escher; e dos contemporâneos: Joseph Kosuth, Anish Kapoor, Olafur Eliason, Waltercio Caldas e Regina Silveira.



Como você descreve sua obra? Por favor fale sobre as mídias e os assuntos discutidos.
Parte de meu processo envolve algumas técnicas e práticas de outras áreas do conhecimento as quais tenho familiaridade: a arquitetura, a fotografia e a computação gráfica. Em um primeiro momento, inicio com a escolha e reconhecimento de um local. Coleto informações que podem ser fotografias, medidas ou desenhos arquitetônicos. Uma segunda etapa, mais técnica, consiste em produzir um modelo virtual, uma representação tridimensional desse espaço que servirá como local virtual de trabalho. São técnicas utilizadas na computação gráfica, recursos de fotografia, modelagem tridimensional e renderização de imagens. Sobre esse modelo, essa base, é onde penso e reflito de maneira poética interferindo de diferentes maneiras com meu repertório formal. Para isso, tenho utilizado com recorrência dois recursos que se relacionam e se apoiam: o uso de espelhos e a autorreferência ou mise-en-abyme. São elementos que servirão para relacionar espectador, real e virtual. Por fim, o trabalho se materializa na forma de impressões fotográficas, vídeos ou animações projetadas.
Em meus trabalhos procuro discutir questões relativas ao real e ao virtual relacionando espaços, locais e objetos reais com representações virtuais. Busco uma ligação ou interferência entre esses dois âmbitos, um ponto de conexão entre imagens e simulações produzidas através de computação gráfica e objetos materiais, a porção material, sólida e real do mundo.


Você está participando de uma exposição no CC Helio Oitcica no Rio de Janeiro, Espelho Refletido, como foi a experiência?
Foi uma experiência ótima para mim, que estou em começo de carreira, participar de uma mostra com uma curadoria feita com tanto cuidado e coerência. O espaço do Centro Cultural é grande e muito interessante de ser trabalhado. E ainda, durante a montagem, tive contato com vários colegas de exposição, o que tornou a experiência muito rica.



Como você descreve o mercado de arte em Porto Alegre?
O mercado de arte em Porto Alegre é extremamente restrito e não há muito espaço para novos artistas. Também não acredito que o volume de vendas geral seja expressivo. Que eu saiba já Porto Alegre já deve um mercado intenso, com uma associação de galerias. Hoje, isso de alguma forma se perdeu. Acredito que mais por questões culturais ou simplesmente do momento histórico de hoje. Por outro lado, vejo nessa condição mais restrita colegas extremamente empenhados em fazer arte com profissionalismo, vontade e qualidade.




Além dos estudos sobre arte que outros estímulos influenciam em seu trabalho?
Me interesso muito pela ciência principalmente pela Física e Astronomia. E frequentemente me vejo me pensando em como trazer para minha produção de arte ideias desses diferentes campos, que considero muito belos. Também sou um leitor quase compulsivo de notícias e informações sobre o mundo atual principalmente sobre política, tecnologia e cultura.



Você tem uma rotina de trabalho?
Tenho um escritório em casa e venho trabalhando de forma alternada entre trabalhos de artes visuais, arquitetura, 3D, e os estudos de mestrado. Tem sido bastante intenso mas recompensador.






Sala de espelhos, 2008.





A Imagem é sempre virtual, 2010.







Sem título, 2010.





Seção invertida, 2010.






Sem título, 2011.







Canoas, 2011.






Galeria, 2011.





Espelho refletido, 2012.

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