segunda-feira, 23 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Bernardo Damasceno

Isolantes e Condutores (2010)



Isolantes e Condutores (2010)



Desenho (2008)


Silêncio do Vinil (1998)







Isolantes e Condutores (1993)









Bernardo Damasceno Nasceu em São Paulo, 1970. Pai professor de História e bancário aposentado. Mãe professora de Antropologia Social. Terminou o ensino médio em escola particular. Interrompeu os estudos na Faculdade de Educação Física e na Escola de Belas Artes, UFRJ. Bernardo vive e trabalha no Rio de Janeiro. É solteiro. Entre os itens mais importantes do currículo podemos destacar: Ordem sem Choque. Ação inserção no jornal O Globo (2010). Hagakure - estâncias (Ler é criar) Ação/Performance. Poéticas Visuais Contemporânea, Rio de Janeiro (2006). Isolantes e Condutores Ação/Instalação na Cinelândia, Rio de Janeiro (1993). Projeto Apartamento III. Rio de Janeiro (2010) Liberdade é Pouco. O que Desejo Ainda não Tem Nome, Rio de Janeiro (2010). Projeto "The Last Book" de Luiz Camnitzer. Zentralbibliotehek, Zurich. (2010). 5a Bienal Vento Sul Vídeo, Curitiba (2009). Arte Instuticional, Rio de Janeiro (2009). Amarelo Negro Arte Contemporânea, Rio de Janeiro (2009). Fugitive Video Projects,. Harmony Landing, Pregam, Tennesse (2009) No Território Vasto. VI Bienal da UNE, Salvador (2009) . Projeto Acervo, Rio de Janeiro (2009). Ação entre Amigos. Galeria Laura Marsiaj, Rio de Janeiro (2008). Projeto El Ultimo Libro de Luiz Camnitzer, Buenos Aires (2008) Notas de Observatório. Oi Futuro, Rio de Janeiro (2006). Mar do Rio - Le verre vide. Ação/Performance no Rio Sena, Paris (2005). Posição 2004, EAV Parque Lage, Rio de Janeiro (2004). Grande Orlandia. Rio de Janeiro (2003)


Bernardo quando você decidiu ser artista?
Desde que posso me lembrar, minha mãe me dava algum material para desenhar. Recordo-me dela preparando aulas de História da Arte utilizando diapositivos com imagens de pintores impressionistas. Em 1992, me vi numa encruzilhada na vida: ou me tornava professor de Capoeira ou me dedicava a desenhar, ler sobre Arte e Literatura. Isso me lembrou aquela máxima: "Seria um pouco ridículo imaginar a aurora ou o crepúsculo de algum tipo de carreira, já que existem hoje no mundo pelo menos 60 000 exposições em andamento" e, portanto sou uma formiga que trabalha ouvindo a música da cigarra.


Como foi a reação familiar?
Sem problemas, mas com as tensões peculiares aos 20 anos de idade. Fui criado entre pessoas aquela época denominadas de intelectuais, meu padrinho de crisma é o escritor Joel Rufino dos Santos, a quem devo boa parte do meu interesse por literatura. Desde de muito cedo, convivi com livros da UNESCO. Um livro que me marcou muito e tenho guardado até hoje é "Les Arts et la Vie", onde se pode ver fotografias de Juan Miró, Henri Matisse e Jackson Pollock em pleno ato de criação ou um monge tibetano tecendo sua indumentária, Xavantes exibindo toda sua exuberância. e, ainda, imagens de computadores da IBM. Tudo isso me deixava muito curioso, isso me guiou em determinadas direções. Meus familiares não criaram dificuldades.

Como foi sua formação artística?
Bom, foi um pouco diferente da usual. Minha formação se deu através de convivências, do fazer e de muita leitura. Foi fundamental ser ouvinte na Escola de Belas Artes, UFRJ da grande artista Lígia Pape uma pioneira na formação de gerações de artistas no Rio. Depois, fui para Escola de Artes Visuais do Parque Lage, onde pude tomar conhecimento de um campo mais amplo de identificação artística com a amiga e professora Simone Michellin. Com ela fiz o curso Multimidia em Artes com duração de um ano.


Quem influenciou seu pensamento como artista?
Influência, talvez seja uma palavra que cause mais dúvida do que esclarecimentos. Não sei, mas conviver com artista com larga experiência me fez ver as coisas de forma menos tradicional. Tentei trabalhar sem esperar nada em troca. É realmente uma questão de olhar para frente e trabalhar, e retrabalhar. As mudanças são sempre internas e a partir daí as coisas mudam em volta. Simplesmente faço por sentir que isso de certa maneira justifica o fato de estar nesse planeta, nessa época, é uma aspiração no sentido de sopro e do desejo. Há dificuldades, mas não angústia, existe muito prazer também. Sou muito grato por conhecer e compartilhar da amizade de pessoas como Ronald Duarte, Antônio Manoel, Cildo Meireles, Fernanda Gomes e, mais recentemente Pedro Victor Brandão e Daniel Murgel. Amo tanto o trabalho de Chris Burden quanto o de Beto Brant, tanto o de JL Borges quanto o de David Lynch, tanto o de Antonioni e Radio Head quanto o de Tupac Shakur e Ariel Meirelles.

Bernardo, comente seu trabalho.
Bom, considero que trabalho com modelos físicos de abstração ou modelos físicos de ação/comportamento, quero que cada trabalho se manifeste de maneira única. Há um embate do individual versus o coletivo, o que eu considero saudável do ponto de vista crítico. Agora, pensando sobre a questão do que é público ou do que viria a ser um real colaborador. No meu trabalho procurei e acho que encontrei colaboradores, ou seja, mesmo como fazendo algo isoladamente como um desenho no estúdio, por exemplo, tento tomar uma direção só minha, mas a experiência da rua, da vida é um fato concreto e indispensável para mim. O primeiro trabalho realizado na rua foi em 1993 com o título Isolantes e Condutores e tive a colaboração de muitos entre eles Celia Szterenfeld e Ricardo Gomes. Como o título diz é uma via de mão dupla, é preciso isolar para conduzir e é necessário conduzir para não isolar. Sabe aquele lance de "uma imagem vale mais do que 1000 palavras", pois é para mim uma experiência vale mais do que 10 000 imagens, mesmo em se tratando de artes visuais. Creio ser muito complicado alguém ter um entendimento melhor do trabalho vendo apenas imagens, o fato oral, o diálogo, também, é importante. O artista não deve falar demais sobre sua obra, a prori tudo deveria estar lá, onde o trabalho está na verdade: No campo das idéias, na memória e no tempo.
Você é representado por alguma galeria?
Marcio, o que significa realmente ser representado? O que eu gostaria de por em suspensão, não por sua pergunta, que é pertinente no contexto, mas por uma conversa que tive com um galerista sobre o que significa para ele, para o artista e para a mídia esta questão de estar ou não "representado" por uma galeria. Ele me disse: "Eu trabalho com determinados artistas, vendo os trabalhos deles, esta questão de representação quem se importa são os jornais". Parece bacana quando é uma parceria de algum modo... Eu tenho meus acordos e eles não são padronizados, mudam conforme uma porção de questões que se apresentam no caminho de uma empreitada, um projeto. Penso que para um artista ser representado com exclusividade por uma galeria de arte, ela deveria prover certa condição de vida para o artista, o resto é ilusão, o que não deixa de fazer parte (esta ilusão) deste grande esquema cultural sempre em movimento que chamamos Arte. Relaciono-me muito bem com a Galeria Laura Marsiaj, mas não tenho nenhum contrato assinado.
As galerias contribuem para o desenvolvimento da arte?
Sim e não, depende de quem, como, onde, por que etc...

Você consegue viver exclusivamente do seu trabalho?
Desse e de outros trabalhos. Atualmente ajudo Cildo Meireles na parte relacionado às suas imagens e arquivos. Não posso deixar de vender meus trabalhos, se não, não fecho o mes.

Qual sua opinião sobre o preço da arte no Brasil?
É o preço da arte em um país com uma dívida social e cultural enorme e centenária, portanto me parece uma questão circunstancial e inevitável, que os preços de artistas americanos ou britânicos da moda, tenham seus preços superdimensionados, superestimados, talvez seja uma bolha para usar um termo mais compreendido pelos economistas. O Brasil será para sempre a bola da vez? É a pergunta que me faço algumas vezes.

Qual a sua opinião sobre o curador?
Alguém que faz o que gosta é sempre importante.

Qual o significado do crítico?
O autoritarismo se mostra de forma mais claro aí, quando a crítica com outras questões, que não as de ampliar as possibilidades de conhecimento e fruição se faz presente.

Que avaliação você faz sobre as Feiras de Arte?
São parecidas com feiras. Feiras são feiras independentemente do que é vendido nelas, Existem maneiras mais ou menos elegantes de se vender algo, nas Feiras de Arte não é diferente.

O que sugere par divulgar a arte em nosso meio?
Deve haver um real interesse das pessoas por Arte, o público também deve dar um passo a frente, nada adianta só so artistas darem seus passos ao encontro do público.

O artista deve continuar estudando? Como você se mantém atualizado?
Estudar para mim é sempre ótimo, realmente gosto de pesquisar livros, imagens e filmes. As pessoas por meio do diálogo se atualizam nas formas de viver e pensar. É uma questão de ação e reação.

Existem outras formas influenciadoras da visão dos artistas?
Sempre fiz esportes, talvez tenha algo físico, corporal em meus trabalhos.

Quais são seus planos para o futuro?
Ir em direção ao infinito.




Bernardo, muito obrigado pela gentileza em participar nessa tentativa de possibilitar aos leitores um melhor conhecimento sobre a vida e obra dos artistas. Sucesso.


Bernardo Damasceno

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