quarta-feira, 11 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Ana Cristina Nadruz


 
A artista e professora de História da Arte Ana Cristina Nadruz em sua cidade amada o Rio de Janeiro.
 
 
 


Nelson Leirner artista preferido e modelo de professor. Fotografia de Fernanda Lopes autora de A experiência Rex "Éramos o time do Rei".



Fotografia dos jardins de Inhotin. Centro cultural considerado por Ana Cristina como grande contribuição da iniciativa privada para arte.





Ana Cristina Nadruz nasceu no Rio de Janeiro. Terminou o ensino fundamental no tradicional Colégio Jacobina (1969). Desde cedo, dedicou-se ao desenho. Cursou Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica no Rio de Janeiro, mas percebeu, após um ano não ser sua vocação, tendo desistido da Faculdade. Casou-se e mudou-se para São Paulo. Matriculou-se na Fundação Armando Álvares Penteado, onde se graduou em Licenciatura Plena de Artes Plásticas em 1981. Durante o curso, foi monitora de Walter Zanini e conviveu com Regina Silveira, Evandro Jardim, Julio Plaza e Nelson Leirner todos com significativa influência em sua formação. Após a formatura iniciou duas carreiras simultâneas a de artista e a de professora de História de Arte. Trabalhou num ateliê de restauração e arte, dedicando-se à gravura em metal. Em 1983, formou sus primeira turma para o ensino da arte em seu ateliê.
Em 1986, voltou para o Rio de Janeiro. Abriu seu ateliê próprio. Para aprofundar seus conhecimentos, fez o curso de Pós Graduação Latu Sensu na Pontificia Universidade Católica. A mudança de seu ex professor da FAAP Nelson Leirner para o Rio de Janeiro, foi o estímulo para inscrever-se nos cursos livres orientados por ele na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Aluna aplicada produziu muitos trabalhos. A partir de 1988, dedicou-se com mais intensidade ao ensino da História de Arte ministrando aulas em Escolas Públicas, no Colégio Andrews e na Escola Técnica de Comunicação. Ana Cristina assinalou a significativa experiência com alunos pobres e a certeza de como a arte pode ajudar a melhorar a formação desses alunos.



Ana Cristina Nadruz tem um filho. Ela vive e trabalha no Rio de Janeiro. Como professora dedica-se ao ensino não acadêmico da História de Arte a pequenos grupos, um tipo de atividade que cresce significativamente em diferentes áreas.






Como você classifica Sua atividade de ensino atual?
Eu dou aula de História da Arte para diferentes turmas em locais diferentes. Não há tempo determinado para o curso, que por coincidência tem o mesmo título usado por você em seu blog _ Conversando sobre Arte. A maioria é composta por mulheres, elas buscam um melhor conhecimento sobre o assunto. Faço, ainda, orientação em visitas guiadas às exposições, museus e em viagens culturais como a Inhotin e às Cidades Históricas.


Não seria um passatempo para donas de casas?
Absolutamente, são profissionais liberais ou aposentadas, pessoas com formação cultural apromorada, são muito motivadas e estudiosas. Elas buscam aprofundamento e utilizam esses ensinamentos em viagens ao exterior e nas visitas aos museus do Rio de Janeiro. Elas leem muito, pesquisam na internet, participam ativamente nas aulas, discutem em profundidade os assuntos. Para mim é um desafio e fonte de estímulo ao exercíco de minha atividade de professora.


Que nomes tiveram maior influência em sua formação?
O maior deles foi Nelson Leirner, a quem chamo carinhosamente de meu mestre soberano. Cito, ainda, Evandro Jardim e Walter Zanini.


Para uma professora de arte e para uma artista que outras fontes de conhecimento ajudam no aprimoramento da sua atividade?
Quanto maior a formação cultural melhor. Eu ouça música, leio livros, vou a concertos, ao cinema, exposições, vejo televisão, frequento apresentações de chorinho na Lapa, acompanho futebol e viajo. Alimento-me de todas essas experiências. Você precisa estar no mundo.

Como fazer para melhorar a divulgação da arte?
Acho indispensável aprimorar o ensino de arte nas escolas durante o curso fundamental. O estímulo para frequentar exposições e museus poderia vir da própria família ou das escolas. Creio ser fundamental uma maior produção de livros de arte de boa qualidade e a preços baixos dirigidas ao público infanto juvenil.


Quais são seus artistas preferidos?
Dos contemporâneos cito Nelson Leirner, Adriana Varejão, Mara Martins e Damien Hirst. Entre os clássicos Vermeer e Velàzquez são insuperáveis.


O curador é importante?
É muito importante. Ao se conhecer a verdadeira função do curador, é possível perceber ser ele quem conceitua a exposição, faz a compatibilização entre diferentes artistas e abre muitas possiblidades de leitura das obras para os espectadores.

E o crítico?
A crítica deve ser sempre positiva e ética.Não quero dizer, que ela deva elogiar sempre. Uma crítica correta, aponta os equívocos e acertos ajudando o público a um melhor conhecimento do que ele irá ver. A crítica negativa e destrutiva afasta o espectador e o impede de fazer sua própria avalição.

Qual sua opinião sobre as galerias e as Feiras de Arte?
São estruturas ligadas a atividade comercial e visam o lucro e devem trabalhar para isso. Há pouco ou nenhum ganho para a maioria dos artistas, pois uma minoria insignificante é representada por galerias.
Que avaliação você faz sobre o preço das obras de arte no Brasil?
As coisas tem um valor e não um preço. O mercado de arte é uma atividade comercial como qualquer outra e não deve ter qualquer função assistencial, mas deveria ter uma enorme influência social.


Entre suas funções de professora de História da Arte você faz visitas guiadas, um dos locais é Inhotim. Como você poderia descrever esse centro de arte?
Inhotin é um espaço de arte contemporânea fundamental para o cenário das artes brasileira e internacional. Obras relevantes de grandes nomes estão expostas de maneira adequada. Há monitores muito bem preparados, em geral, estudantes ou já formados em História da Arte. Alguns já na pós graduação. Eles orientam os visitantes e falam com segurança sobre as obras e os artistas. O Centro possui cerca de setecentos funcionários, a maioria moram na cidade de Brumadinho, o que dinamizou a vida econômica, social e cultural de toda região. A importância cultural é incalculável, pois vai desde a formação de mão de obra especializada para diferentes funções até a possibilidade de melhorar e divulgar o conhecimento sobre arte de todos os visitantes. Esses são na maioria brasileiros, mas é grande o número de estrangeiros. Os jardins são espetaculares e há uma das maiores coleções de espécies de palmeiras do mundo.


Você poderia indicar uma bibliografia básica para aquele que quer iniciar o estudo da história da arte.
Acho o livro do Gombrich básico. Ele dá um norte para quem está começando o estudo da História Geral da Arte. Para compreender a Arte Moderna indico o imbatível Argan. Para Arte Brasileiro fico com o Walter Zanini. Recentemente, foram lançadas duas revistas de arte Das Arts e Santa Arte Magazine com excelente padrão e darão, desde que haja continuidade, significativa contribuição para divulgação da arte em nosso meio.


Quais seus planos para o futuro?
Matricular-me no Mestrado de História da Arte da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e voltar à atividade artística, de início produzindo gravuras.






A entrevista com Ana Cristina Nadruz foi realizada em maio, durante um modesto lunch composto de café, pão e manteiga na Cafeina do Leblon. Ana Cristina é mulher vibrante, simpática, alegre com ótima formação cultural e transmite enorme energia e motivação em sua atividade. Falou com entusiamo da sua atividade como professora de cursos livres e do aumento da procura que eles tem tido. Personalidade forte defende com intensidade suas convicções. De origem árabe é muito ligada à família. Agradeço a essa amiga do Facebook a contribuição dada a Conversando sobre Arte.

Nenhum comentário:

Postar um comentário