segunda-feira, 23 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Theo Amaral

Theo Amaral

Mimetismo (2000) Xilogravura.

Mulheres na Calçada (2010). Desenho. Sanguínea sobre papel. 17 x 23 cm.


Sem título (2005) Pintura. Técnica mista. 29x28 cm.











Paisagem com Torre e Nuvens. (2010) Digital art. 70,5x 52,5 cm.




Aprisionado (2007) Escultura. Metal, vidro, plástico e sisal. 1 peça 17x8,5x8,5 cm. 2 peças 18,5x8,5x8,5 cm.











O entrevistado de hoje é Theo Amaral jovem artista de Belo Horizonte. A sua trajetória é igual a da maioria dos artistas, são formados, fazem um trabalho de qualidade, são dedicados e estudiosos, mas esbarram na impossibilidade da representação por uma galeria e ter melhor acesso ao mercado. Agradeço a Theo seu depoimento e cumprimento pelo caminho trilhado, na certeza do reconhecimento rápido.






Gostaríamos de saber alguma coisa sobre sua vida pessoal.Sou mineiro de Pará de Minas, nascí em 1974. Sou o mais velho de três irmãos. Meu pai era funcionário público estadual e minha mãe, do lar. Sempre estudei em escolas públicas. Cheguei a ganhar uma bolsa para estudar em um colégio particular para fazer o curso técnico em contabilidade. Fiquei lá por quase dois anos, mas na época percebi que meu negócio era outro. Passei a frequentar o curso científico em um curso de suplência. Nesta época eu já havia trabalhado em escritórios de lojas, e atuava no momento em um escritório de contabilidade. Formei-me em meados de 1997. Em 1998 ingressei-me no curso de Belas Artes, na UFMG. Saí da universidade após ter concluído os bacharelados em pintura, escultura e desenho, além da licenciatura plena em artes.
Quando você começou a se interessar pela arte? Qual foi a posição da família?Desde muito pequeno. Ficava horas observando minha avó materna desenvolvendo suas peças e comercializando-as em casa mesmo. Ela fazia várias coisas. Pintava telas, fazia esculturas, costurava, confeccionava bonecas, tapetes, fazia objetos de decoração, além dos presépios, muito requisitados. Acho que isso me influenciou bastante. Há uns três anos, tive a grata surpresa de ter encontrado entre os cacos de um vaso da minha mãe, que acabei quebrando por descuido, um desenho meu feito aos cinco anos de idade. Eu desenhava muito. Infelizmente não tenho quase nada dessa época. Esse achado foi um verdadeiro presente pra mim. Minha família sempre me apoiou. Sempre deixava claro que o importante é fazer o que se gosta, que se tenha prazer pelo que faz, e que no fim das contas o que deve prevalecer é a felicidade. Nunca foram contra, apesar de sempre deixarem claro que viver de arte no Brasil não é tarefa fácil. E eu pensava comigo: "O que hoje é fácil"? (risos)

Como foi sua formação artística?
Na época do ensino fundamental fui escolhido entre vários alunos para fazer um curso. Ganhei uma bolsa pra estudar desenho numa escola de artes municipal. Infelizmente não o concluí. Mesmo assim nunca deixei de desenhar. Na maioria das vezes sempre me procuravam para fazer ilustrações de trabalhos de escola e de faculdade. Ganhava algum dinheiro com isso.Quando resolvi cursar artes na universidade minha vida mudou completamente. Essa fase foi bastante tumultuada (risos). Eu tenho uma mania horrorosa de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Isso é muito desgastante. Estudava, fazia cursos, trabalhava. Minha rotina era muito intensa. Durante a semana, acordava às cinco da manhã, passava o dia todo no campus, e só retornava tarde da noite. No domingo eu estava exausto. Cursar artes na universidade foi uma das melhores coisas que fiz. Aprendi muito lá. Fiz muitos amigos, inúmeros contatos. Conheci pessoas interessantíssimas de várias áreas, dentro e fora da universidade, e de outros países também. Essa fase de estudante foi muito enriquecedora. Esses contatos e amigos estão muito presentes até hoje.

Que artistas influenciaram seu pensamento?
Tenho uma série de artistas que me influenciam. Klee, Tunga, Anita Malfatti, Miró, Sebastião Salgado, Tarsila, Volpi, Van Gogh, Hans Bellmer, Frans Krajcberg, Gustav Klint, Botero, Modigliani, Chagall, entre outros. Creio que este gosto tão variado acaba influenciando os meus trabalhos. É como se eu pinçasse pontos de um e de outro, e os amarrasse numa trama bem marcada de ecletismos.

Numa conversa prévia, você falou sobre as dificuldades em ser representado por uma galeria. O que aconteceu e que atitude você tomou em relação à divulgação do seu trabalho?Bem, as coisas não são nada fáceis pra quem não é conhecido no mercado. Por diversas vezes entrei em contato com galerias, até mesmo por indicação de outras pessoas e amigos, e na maioria das vezes nem retorno deram. Eu tinha muitas esperanças de conseguir algo, mas não aconteceu - ainda. Não afirmo que as oportunidades não existam, mas essas são raríssimas. Por estar provisoriamente morando no interior, a saída que encontrei foi fazer uso da internet. Com a internet podemos estar presentes e ao alcance de todos, o tempo todo. Acho que as mídias sociais estão aí para serem usadas, há muito campo pra todo mundo. Decidi criar um portfólio na internet, além de cadastrar-me em alguns sites específicos. Também criei páginas em algumas mídias sociais. São por esses canais que divulgo meus trabalhos e consequentemente comercializo-os. Eu não sabia nada sobre internet. Fiz as coisas por tentativas, erros e acertos. Eu mesmo faço minhas fotos, esquematizo e monto toda a estrutura. Criei tudo sozinho, quebrando a cabeça mesmo. Foi um exercício de muita paciência. Desgastante, mas recompensador. Aprendo muito com isso.
É possível viver de arte?É muito difícil pra quem está começando. Tem que se ter muita perseverança e paciência. Se não tiver estrutura pra aguentar ... Difícil, mas não é impossível. Conheço muita gente que se desdobra. Trabalha em alguma outra atividade para manter-se, e paralelamente investe no trabalho artístico.

heo você poderia comentar o seu trabalho?Bem, meu trabalho é bem diversificado. Dependo muito do meu estado de espírito para decidir o que fazer. Adoro juntar coisas, Isso tem me rendido algumas piadinhas de amigos (risos). Apropriações de imagens como ponto de partida para a idéia de algum trabalho acontece também. Como sempre, faço várias coisas ao mesmo tempo. Por exemplo, enquanto me meto a fazer fotografias, a idéia do desenho, da pintura, da escultura estão ali, me rondando. Tem horas que acho isso muito bacana, noutras horas, muita loucura. Mas é assim que as coisas acontecem. Sou muito inquieto com esse lance das imagens, muito ligado à materialidade do corpo, às cores, à espacialidade. Não é raro acontecer de eu acordar no meio da noite, tonto de sono, e passar para uma folha de rascunho alguma ideia que tive naquele momento. Ultimamente eu tenho me permitido mais liberdade para trabalhar.
Quais suas principais exposições?Tenho feito pouquíssimas exposições.
2005 - 1º Coletivo Itinerante Kaza Vazia. Belo Horizonte/MG.

2005 - Expobot. Belo Horizonte/MG.
2007 - 4º Salão de Artes Jerônimo Marcucci. Pará de Minas/MG.
2009 - Coletiva Expressão da Arte. São João de Merití/RJ.

Como você vê o desenvolvimento da arte contemporânea em BH? Há um grande nome?

Bastante promissor. Têm acontecido muitas exposições interessantes. Fora do eixo Rio São Paulo as coisas andam meio devagar. Mas isso tem mudado um pouco. Creio que a tendência é melhorar. Há muitos artistas com trabalhos marcantes em BH, com coisas muito interessantes para serem mostradas pelo Brasil afora.

O que você pensa sobre o preço das obras de arte no Brasil?Há preços para todos os gostos e bolsos. O mercado das artes no Brasil está em expansão, e fortalecendo-se. Há muitos jovens descobrindo o gosto de colecionar e investir em arte. Tenho comercializado bastante com este tipo de cliente. Jovens em início de carreira, estabilizando-se ou já bem sucedidos, que encontram verdadeiro prazer em adquirir arte.

Qual sua opinião sobre os salões de arte?
Acho que são muito importantes. Valorizam a classe artística. Participei de alguns. Já fui premiado. Mas sinceramente, a exigência sufocante de alguns pré-requisitos deixam a desejar. E não digo isso só por mim. A Arte é muito superior a isso. Esses limites impostos são castrantes (limite de idade, currículo, tempo de experiência, etc.).
Como você se mantém atualizado?Gosto muito de ler. Curto revistas, jornais, livros, tv. A internet nestes últimos dois anos tem ocupado um espaço crescente na minha vida. São muitas as facilidades proporcionadas.

Como divulgar a arte no Brasil?Fora os meios já usuais como revistas, jornais, rádio e televisão, penso que as empresas privadas poderiam investir mais neste segmento. As estatais investem, mas o que é feito ainda é muito escasso. A internet mais uma vez tem tudo pra ser uma ponta de lança nesse quesito.


Quais são seus planos para o futuro?Mudar-me de cidade, retomar as aulas de idiomas, viajar mais. Expor mais.



Como você utiliza suas horas vagas?

Como não tenho patrão, a liberdade sempre acontece. Gosto muito de viajar. Conhecer lugares e pessoas, conversar, fotografar, ler. Curto o contato com a natureza. Sempre que posso visito cachoeiras. Preciso disso tal como o ar que respiro.






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