sexta-feira, 20 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Alexandre Paes


Alexandre Paes

Alexandre Paes vive e trabalha no Rio de Janeiro. Trabalha construindo objetos com a própria tinta. Em 02 de julho participa da exposição Uma Parte do Caminho. Ele próprio foi o autor do texto de apresentação. Obrigado e sucesso Alexandre.



Alexandre, gostaríamos de conhecer um pouco de sua vida pessoal
Nasci em Niterói, em 1978, onde vivi até 2007 quando me mudei por Rio. Meu pai tem um barco de pesca e minha mãe era dona de casa. Estudei no Liceu Nilo Peçanha, onde tínhamos aulas de várias linguagens artísticas como disciplinas extracurriculares. Estudei canto coral, música e teatro lá.

Como você encontrou a Arte?
Desde muito cedo me interessei por arte. Gostava de desenhar como toda criança e fui bastante incentivado por um meu tio, Valdir, que é professor da EBA. Ele e seu filho André, que já estudava com Daniel Senise e Beatriz Milhazes na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, me orientavam e meu tio sempre me levava a exposições etc.


Qual foi sua formação artística?
Comecei aos 13 anos fazendo cursos de desenho no SESC de Niterói. Fiz o de desenho básico e desenho de figura humana. Minha formação profissional compreende o curso de Artes da UERJ, onde fiz bacharelado e licenciatura e quatro anos frequentando as aulas de pintura do João Magalhães no Parque Lage (onde depois entrou o Walter Goldfarb como professor adjunto, em 2007). Fiz ainda uma das oficinas do Sesc Tijuca, com o Felipe Barbosa, sobre arte pública e intervenção urbana. Mas acredito que a formação de qualquer profissional, principalmente um artista, é constante e ininterrupta, por isso, sempre que posso, vou a palestras, debates e outros eventos sobre arte.


Que artistas influenciam seu pensamento?
Todos aqueles que trabalham com a pintura de um modo mais abrangente, fora das bordas. Gosto da pesquisa da Zalinda Cartaxo.Vi o que o Rodrigo Andrade tem feito com massas de tinta pura e gostei muito. Atualmente pesquiso e leio muito sobre artistas em geral, não só pintores, que trabalham com a questão da participação e da manipulação da obra pelo público. Mas, certamente, desde que comecei a fazer pintura no espaço real, Hélio foi a minha maior influência.


Como você descreve seu trabalho?
É um trabalho que convida à participação. O que faço é levar para o espaço real tudo aquilo que desde sempre foi usado para criar ilusão. Faço uso da tinta para produzir objetos, com os procedimentos próprios da pintura (pincelada, veladuras...), que podem ser usados como qualquer outro objeto. Quando comecei esses trabalhos, em 2006, minha discussão era em torno da produção da imagem pictórica. Foi quando me perguntei sobre o porquê de usar a tinta para criar a ilusão de um objeto se podia usá-la para criar o próprio objeto, substituindo a ideia de representação pela presentificação. Daí, passei a pensar na possibilidade desses trabalhos serem mais que meramente apreciativos, mas que fossem também usáveis, manipuláveis, como se faz com os objetos do dia a dia.

Você é representado por alguma galeria?
Não. Nunca procurei nem fui procurado por nenhuma rss

É possível viver de arte no Brasil?
Não tenho dúvidas. Mesmo nosso mercado sendo ainda incipiente diante da quantidade de bons artistas e obras em circulação, ele está cada vez mais profissional. Hoje, mais que há dez anos, por exemplo, sente-se a possibilidade de viver de arte.

Como você avalia os Salões de Arte?
Os salões são ainda a maneira pela qual os jovens artistas têm uma possibilidade bacana de mostrar seu trabalho. Não que seja a única, mas ainda é uma boa maneira.

O que pensa sobre as mega exposições tais como Bienais e Feiras da Arte?
Acho que esses eventos transitam nos extremos. As bienais, por exemplo, ao mesmo tempo em que oferecem uma oportunidade de se ver parte da produção mundial de ponta, pode também ser bastante confusa e caótica. Acho que algumas coisas se perdem em meio ao clima de super produção (sem falar das polêmicas que entraram pra agenda da Bienal de São Paulo). O nível é sempre muito alto, mas me parece que tem algo demais.

Você escreve sobre seu trabalho?Sim, escrevo bastante. É um hábito que adquiri ainda no início da minha formação, muito incentivado pelo João Magalhães, que nos instigava a refletir através da escrita sobre nossa produção. Com o Walter aprendi a manter um arquivo bem organizado. Ele sempre nos lembrava da importância de fotografar, arquivar e catalogar todas as obras.

Você inaugurará uma exposição em 02/07. O que você mostrará?
É uma exposição coletiva. Vou mostrar os objetos de tinta acrílica (dois pares de tênis, uma camisa e um livro) e uma instalação que são uns almofadões, também de tinta, onde as pessoas podem se recostar, sentar ou deitar pra relaxar. Pode-se dizer que todas as obras formam a instalação, pois dialogam entre si e podem ser usadas todas de uma vez.

Quais são seus planos para o futuro?
Continuar produzindo com a tranqüilidade que produzo hoje. Mas, se quer saber qual projeto toma toda minha atenção no momento, é fazer uma casa de tinta. O projeto já está andando.

Como você utiliza suas horas livres?
Acho que como todo mundo. Gosto de passar um tempo com a minha filha e minha mulher. Quando não estou pintando, estou lendo ou vendo um filme.



Camisa

Página de Livro

Página de Livro

Página de Livro

Sapatos






UMA PARTE DO CAMINHO... trabalha no cerne da impossibilidade de apresentar um panorama abrangente da produção de determinado artista dentro de uma mostra coletiva. Mesmo que sejam mostrados trabalhos de momentos diferentes de sua trajetória, a coletiva não dá conta de apresentar (nem pretende) a poética de um artista de forma satisfatória.
Essa mostra abraça a proposta de lidar apenas com uma parte da produção de cinco artistas que estão num momento de reelaboração ou afirmação de suas poéticas, onde encontramos vestígios de por onde passaram e apontando possíveis caminhos.
Alexandre Paes apresenta em objetos e uma instalação, sua abordagem de pintura que permite ao público experimentá-la por todos os sentidos. São peças feitas inteiramente de tinta acrílica que discutem não só a produção e os procedimentos pictóricos, mas também seu posicionamento no mundo e os modos como podemos apreendê-la.
Anderson Lopes usa a sutileza como potência de seus trabalhos. Com economia de procedimentos, cores e formas, Anderson cria seres estilizados postos em situações que nos remetem aos conflitos diários. Suas telas nos revelam uma “sociedade” de seres dourados (alegoria do sujeito-espetáculo) onde são ressaltadas as mais brutais condições e contingências do ato de conviver.
Tatá Barcelos vem de uma prática voltada para a pintura que deixa transparecer em suas performances, instalações e até mesmo objetos. Em A[Feto] ela cria a imagem despedaçada de um feto que reflete a, igualmente despedaçada, imagem do observador, formando com o título da obra um binômio que nos instiga a discussão.
Vlad da Hora nos apresenta imagens repletas de lirismo e subjetividade, nos remetendo ao realismo mágico. São imagens que, apesar de transcender nossa noção de realidade, são todas referências às suas experiências de vida. Na maioria de suas telas, a suavidade das imagens criadas contrasta com a força da fatura.
Priscila de Moraes desenvolve sua trajetória na discussão entre público e privado, limites e transgressões. Seu trabalho de intervenção urbana se converte atualmente em intervenção institucional, discutindo o interesse e as implicações de estar no circuito oficial de arte e, frequentemente, perguntando-nos se um sinal ou uma faixa podem ou devem impedir ou limitar nossas ações.
Com tal amplitude de rotas e direções, essa exposição é mais que uma exibição de trabalhos: é um convite ao caminhar.
Alexandre Paes
2011



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