sábado, 21 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Alberto Pucheu

Alberto Pucheu

Alberto Pucheu Nasceu no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha. Filosófo, poeta, ensaísta, professor de Teoria Literária da Faculdade de Letras e doutor pela UFRJ. No último fim de semana, participou com suas fotos denominadas Street Poems no ArteFórum; ocupação artística, com a curadoria de Beatriz Rezende e Denilson Lopes, no Fórum de Ciências e Cultura da UFRJ. Publicou ensaios e sete livros de poesia. Minha relação com Alberto vem de longe, conheci quando nasceu, vi seu crescimento e sua transformação num intelectual de primeira linha. Com a emoção de um amigo mais velho, ofereço aos leitores do blog essa sua bela incursão nas Artes Plásticas acompanhado do texto por ele escrito. Obrigado Alberto.
A primeira parte da entrevista foi realizada por Ana Beatriz Pessanha a quem agradeço sinceramente.



Qual é a sua relação com a fotografia, e como ela surgiu?
Minha relação com a fotografia é inteiramente amadora, assim como a pequena máquina digital que possuo. Essas fotos são tiradas, portanto, de maneira precária, casual, sem que nem houvesse um desejo de que fossem feitas de outra maneira. Mesmo nas vezes em que uso o photoshop, também é pelo modo de quem não sabe usá-lo, de quem vai aprendendo a mexer só um pouquinho no básico aqui e ali. Um pouco de luz, um pouco de contraste, essas coisas mínimas. Em nenhum momento pensei nessa exposição como algo profissional. Gostaria de me afastar completamente de qualquer seriedade ou compromisso que me atrelasse a um conhecimento técnico, histórico, reflexivo ou mesmo artístico da fotografia. Essa série não nasce de um possível fotógrafo que haveria em mim, mas do prazer de um olhar de um poeta que caminha por cidades, perdendo-se, esquecido de si, esquecido mesmo do fato de ser poeta. Esquecido até do poeta que há em mim, o anônimo que caminha em mim se depara, subitamente, com frases, também anônimas, que me causam impacto, que se fazem ser vistas, que, por serem poéticas, muito diferentes das palavras de ordem habitualmente religiosas, pseudo-anarquistas ou quaisquer que sejam encontradas em todos os lugares, não se deixam mais ser esquecidas. É quando eu, esquecido de mim, tomado agora pela frase que leio à minha frente, surpreendido pela força ali presente, tenho o desejo de fotografá-la, lembrando-me então talvez nesse momento de que sou poeta.

Como surgiu a ideia para essa exposição e quais foram os intercâmbios como sua obra literária?
De fato, a surpresa diante de tais frases tem como pano de fundo o meu próprio trabalho poético, que talvez tenha me levado, ainda que de modo não planejado, a uma atenção a elas, casualmente encontradas. Em meu primeiro livro, já havia um poema feito apenas com frases de vendedores ambulantes ouvidas diariamente no trem que eu pegava para ir ao trabalho. Em outro, apenas frases retiradas do programa do Ratinho, quando ele começou a aparecer na televisão. Ao longo dos meus livros, tal tipo de poemas passou a ser chamado de “arranjos”, ou seja, poemas nos quais não escrevo nenhuma frase minha, poemas em que apenas recolho frases alheias e faço um arranjo com elas, como se a presença do poeta pudesse, ou quisesse, ser levada a um grau quase zero. Tais “arranjos” são feitos ora com fragmentos de emails recebidos por mim, ora por frases ou pedaços de conversas ouvidas na rua fora de seu contexto, algumas vezes a partir dos bate-papos em chats, em outras elas foram retiradas das bocas dos boxeadores... Em certo momento de meu percurso, precisei radicalizar – inclusive denominando-o, de “arranjos” – esse tipo de poemas que se encontra desde o primeiro livro, querendo transformá-lo mesmo em uma poética. Cheguei a ir a um extremo, fazendo um livro inteiro só de arranjos, o Já que não há cabeça nem lugar para o que passa (tudo na vida é passatempo). Agregado a isso, tem a importância maior da cidade em meus poemas (“a fronteira desguarnecida entre a pessoa e a cidade”, “a cidade aberta” etc. etc. etc.). Assim, essas fotografias são para mim frases que colho na boca dos muros da cidade, percebendo e pensando o que ela – a cidade – está dizendo para nós, o que a sua voz – voz da cidade, voz urbana – nos leva a pensar e a sentir. Para mim, o conjunto delas (são em torno de 25 as até agora selecionadas), reunindo o que está por aí disperso, forma um belo arranjo urbano, deixando-nos ver uma poética política de uma comunidade anônima que nos constitui e é constituída por todos nós.
É preciso que eu diga que, quando comecei a tirar essas fotos, o ato de fotografar as frases era completamente inconsequente. Tirava-as por pura admiração a elas, por puro prazer, porque elas interrompiam meu percurso fazendo-me parar um pouco para percebê-las, tirava-as simplesmente por um gesto, para guardar comigo aquele prazer por mais tempo, para trazer as frases mais demoradamente comigo, para trazê-las de outras cidades ou mesmo da em que moro para a minha casa e intimidade, para compartilhar essa alegria com alguns amigos mais íntimos, para deixar ecoar mínima e ludicamente o efeito de perplexidade que muitas delas criam em nós. Mandei imprimir algumas delas e coloquei duas no hall do meu andar no prédio, outras, maiores ou menores, nas paredes do meu apartamento. As pessoas iam gostando delas, achando-as legais. Até que Renato Rezende, um grande amigo que é poeta e artista visual, as viu e gostou muito delas, instigando-me a expô-las e fazendo comigo um projeto para concorrer a um edital – não ganho. Comecei a perceber que as pessoas gostavam das fotos. Coloquei-as no Orkut e no Facebook e os comentários eram sempre generosos e alegres, de quem se sentia tocado pelas fotos, pelas frases, com as pessoas curtindo o que passou a se tornar um projeto lúdico. Lembro-me da poeta e artista visual Laura Erber, que trabalha inclusive com fotos e poemas num mesmo livro, dizendo-me, ao ver as fotos ali, que tinha gostado delas. Um dia, vi indiscretamente pelo olho mágico de minha porta o excelente artista visual Luciano Figueiredo, que tinha ido à casa do meu querido amigo e vizinho Antonio Cicero, colocando os óculos para ver melhor as fotos no hall do meu andar do prédio em que moro, fazendo, do outro lado da porta, um comentário simpático, o que me deixou feliz (e ele nem sabe disso! Rs). Outros poetas e artistas visuais que as viam gostavam delas, bem como pessoas de outras áreas, de qualquer área e mesmo as sem área nenhuma, quaisquer pessoas. É claro que esses comentários simpáticos não estão preocupados em saber se aquilo é arte, se quem fotografou aquelas fotos é um bom fotógrafo ou algo assim; claro que não. O que se gosta ali é da própria possibilidade de se encontrar tais frases pelo caminho, de esbarrar com elas por aí, em lugares, aí sim, que as fotos agora possibilitam e que sem elas as frases ficariam restritas aos muros no quais elas, passageiramente, se encontram. O que se gosta nelas, parece-me, é esse encontro fortuito com o poético e o pensamento anônimo urbano presente onde eles não são esperados. No que diz respeito a quem as flagra, fotografando tais frases, o que se gosta é também, quando muito, parece-me, o gesto de fotografá-las, o olho que as olha e as quer guardar. Outro dia, um ex-aluno, o Jun, avisou-me gentilmente, pelo próprio Facebook, que em Niterói tinha uma boa frase para eu fotografar, o que acabei fazendo, atravessando a ponte cedo numa manhã de um feriado desses. Essas coisas foram me instigando a dar visibilidade maior a elas e poder vê-las agrupadas e ampliadas. Recentemente, mostrei poucas delas para Beatriz Resende, que me chamou então para participar do Arte Fórum, o que me dá grande alegria.

Qual foi motivo da escolha das cidades Rio de Janeiro, São Luís e Lisboa para o projeto?
Não houve escolha, ou então, se houve, fui eu o escolhido por elas. As primeiras fotos que fiz foi quando fui à Lisboa para realizar uma pesquisa sobre o excelente poeta português Luís Miguel Nava, por quem tenho imensa admiração. Nas horas vagas que tinha, adorava caminhar pela Alfama, pela Mouraria, por toda aquela região adorável de Lisboa. Ficava andando por ali, horas e horas, esquecido de mim mesmo. Até que uma hora me deparo com a frase “distorção de possibilidades” e, abaixo dela, uma seta para cada direção contrária. Adorei aquilo. Achei uma frase de grande alcance poético e mesmo filosófico para estar no meio da rua. Uma frase que provocava o pensamento, em que o dito por ela podia se desdobrar de inúmeras maneiras, sendo que ela resguardava a força de sua brevidade. Fotografei-a. Aí, vi outras em Lisboa, que também me atraíram muito. De uma delas, a com a frase “as pessoas somos nós”, o amigo artista visual Jorge Sayão comentou, não sem humor, mas também não sem uma rememoração muito bonita: “Giotto!!! o azul de Giotto !!! a capela Brancacci foi à rua!!!” Voltando ao Rio, comecei a prestar atenção e também encontrei várias muito interessantes, dentre as quais, logo de cara, a maravilhosa “o sentido não tem direção”. De novo, tanto poética quanto teoricamente é uma frase impressionante. Abri um dos meus cursos de Teoria Literária este ano com ela. Perto aqui de casa, vi uma, “a saliva é suor das palavras não ditas”, que eu mesmo acabei usando em um dos meus poemas. Quanto a São Luís, fui dar um curso intensivo de Doutorado na UEMA, tendo ficado 15 dias naquela cidade deliciosa. Fiquei hospedado no centro histórico, onde eram as aulas que dava. Tudo maravilhoso. Andava por ali diariamente. E as frases começaram a se mostrar. O meu amigo, o meu irmão, Cláudio Oliveira estava em Veneza quando Giorgio Agamben o levou para ver uma pichação de que gostava muito, que dizia “non c’e + nessun Virgilio a guidarci nell’inferno”. Cláudio fotografou a frase, mostrando-a depois para mim. Acabei fazendo um poema para ela, que gostaria de expor junto com a foto. O Renato Rezende foi uma vez à Ilha Grande e fotografou uma ótima frase, mandando-a também para mim. A Lucenne Cruz, que também fotografou uma frase em Lisboa, encaminhou-a a mim. Somos agora legião, os admiradores dessas frases poéticas de rua; mas é bom que se diga: não de toda e qualquer frase de rua, mas justamente dessas cujo sentido, ao invés de fechado, é aberto, frases que levam seu sentido para o lugar de onde todo e qualquer sentido provém. Pelo jeito, essas fotos acabam por afetar o modo de as pessoas se relacionarem com a cidade, com o entorno de si, com a vida.

Na sua opinião, como a literatura se relaciona com a fotografia e com a própria imagem no momento atual?
Desde sempre, uma das criações primordiais da literatura é a imagem. A literatura é craque em criar, dentre outras coisas, imagens. A fotografia também. Parece-me que um dos pontos hoje é quais imagens criar num momento de saturação das imagens. Como buscar uma imagem diferenciada, uma imagem-pensamento, para falar com Benjamin, que nos provoque reflexão, que estanque um pouco, por breves segundos que sejam, a avalanche das imagens que querem impor seu sentido unidirecional, autoritário. Ou então como se apropriar do clichê, usando-o, ainda que como estereótipo, de um modo poético, de um modo que, ainda que o acatando, ajude a uma frenagem do lugar-comum. Eu intitulei tal exposição de “Paisagens urbanas quase sem paisagens”. Onde há “paisagens” poderia ser colocada imagem, ficando “imagens urbanas quase sem imagens”. Ou seja, trata-se de paisagens mínimas, trata-se de paisagens de muros e frases, de paisagens de pensamento poético que querem se destacar do muro, abrindo nele, em nosso muro, no muro de nossos pensamentos, fendas ventiladoras, aberturas arejadoras, liberdades de, pelo sentido, abrir um possibilidade anterior a todo e qualquer sentido. Adorei o nome que Cristiane Costa, que participa da comissão de organização do evento, deu para esse tipo de fotos que estou fazendo: street poems.

A exposição seguirá para outros espaços depois do Arte Fórum?
Fico torcendo para que sim. Gostaria de continuar a expor as fotografias. Por coincidência, ontem mesmo fui convidado por Alberto Saraiva, curador do evento Poesia Visual no Oi Futuro de Ipanema, para fazer a próxima exposição de lá. Por lá, já passaram, entre outros, os amigos, por quem tenho grande admiração como poetas e teóricos, Renato Rezende, Roberto Corrêa dos Santos e Antonio Cicero. Aceitei o convite, mas Saraiva e eu ainda não conversamos para ver como será, para pensarmos se exporemos a série dessas fotografias ou outra coisa. Há ideias. Eu certamente gostaria muito que essas fotografias seguissem o seu caminho. Eu continuo seguindo o caminho delas.

Perguntas do blog:

Alberto qual é a sua formação profissional?
Tenho graduação e Mestrado em Filosofia, com Doutorado em Ciência da Literatura, pela UFRJ.

Que atividades você exerce atualmente?
A da poesia, a do ensaio e a do ensino de Teoria Literária na UFRJ.

Que autores, artistas e fotógrafos interferem em seu pensamento?
No âmbito da literatura e da filosofia, são muitos: Platão, Montaigne, Schlegel, Novalis, Nietzsche, Deleuze, Heidegger, Agamben, Jabès, Cabral, Drummond, Jorge de Lima, Rimbaud, Guimarães Rosa, Euclides da Cunha, Leonardo Fróes, Fernando Ferreira de Loanda, Manoel de Barros, Antonio Cicero, Caio Meira, Renato Resende, Roberto Corrêa dos Santos, Dante, Shakespeare, os gregos antigos de modo geral.... inúmeros outros. No que diz respeito aos fotógrafos, sinceramente falando, conheço pouco fotografia. Não tenho como dizer que fotógrafos interferiram em meu pensamento. Mas gosto muito de Cartier-Bresson e, no Brasil, de Miguel Rio Branco. Do cinema recente brasileiro, adorei "Os famosos e os duendes da morte" e gostei muito de "À deriva", dentro outros.

Como foi a experiência de participar do Forum?
Foi muito gratificante a participação no evento. Foi a primeira vez que participo enquanto criador de algo fora dos âmbitos literário e acadêmico. Na escrita, precisamos de uma temporalidade muito mais densa, de uma verticalidade muito maior, fazemos um trabalho de grande solidão e a leitura desse trabalho também é espesso e solitário. Em um exposição de fotos como as minhas, tudo está ali, mais na superfície, as imagens, os muros, as frases, o tempo, eu, os espectadores, o pensamento, o afeto. Apesar disso, é bonito ver como essa horizontalidade também tem a força de levar as pessoas a uma verticalização, a uma exclamação com o poético ali presente. Como fiquei muito tempo na exposição, a percepção da reação das pessoas foi algo inteiramente novo para mim. A aceitação das fotos foi impressionante. Todos as comentavam, se surpreendiam com elas, o que me deixou muito feliz. Foi curioso também porque, quando comecei a tirar as fotos, tudo era algo do âmbito do lúdico para mim. Muito curioso esse caminho do lúdico até à surpresa e ao inesperado da exposição. Outra coisa que muito me impressionou foi vê-las reunidas, impressas, em tamanho grande. Isso dá uma dimensão muito mais bonita do que vê-las individualmente e pequenas no computador. No papel impesso e ampliado, vi coisas que nem me lembrava de ter visto na hora do clique nem na imagem pequena no computador. Em uma das fotos, uma mínima guimba de cigarro largada no paralelepípedo no extremo de baixo da foto aumentou imensamente o sentido da foto para mim. No dia da montagem, adorei ter ficado um bom tempo sozinho com elas, arrumando-as, mudando a ordem delas, inserindo uma ou outra foto mais colorida onde uma mornidão qualquer predominava, descobrindo uma maneira também de ela não ter uma linearidade, já que se tratava de um amplo corredor com duas entradas, buscando que de ambos os lados tivesse um começo que de alguma maneira impactasse as pessoas... Todo o trabalho de arrumação, muito intuitivo, me deu grande prazer. Algumas dicas dadas na véspera, em minha casa, pelo meu amigo e excelente artista visual Ricardo Becker foram de grande ajuda também. As pessoas do Forum foram de uma atenção, simpatia e dedicação extremas, o que é muito importante salientar.

Quais são seus planos futuros em relação à fotografia?
Como você sabe, esse projeto das fotos parte de minha relação com a escrita. É, portanto, um desdobramento dele. O meu passo com as fotos será continuar a colheita dessas frases urbanas.Coincidentemente, fui recentemente convidado pelo curador Alberto Saraiva para ocupar o espaço Poesia Visual da Oi Futuro de Ipanema em julho. Ainda não estou certo do que farei. De modo diferente da escrita, quando os projetos vão vindo em desdobramento uns dos outros, a fotografia, como disse, é para mim algo de lúdico. Vou deixar surgir o caminho pela frente, sem perder esse caráter de uma atenção distraída.












Essa série de fotografias de street poems, Paisagens urbanas quase sem paisagens, nasce do olhar de um poeta que caminha por cidades, perdendo-se, esquecido de si, esquecido mesmo do fato de ser poeta. Esquecido até do poeta que há em mim, o anônimo que caminha em mim se depara, subitamente, com frases também anônimas, que me causam impacto, que se fazem vistas, que, por serem poéticas, muito diferentes das palavras de ordem habitualmente religiosas, pseudoanarquistas ou quaisquer que sejam encontradas em todos os lugares, não se deixam mais ser esquecidas. É quando eu, esquecido de mim, tomado agora pelas frases que leio à minha frente, surpreendido pela força ali presente, tenho o desejo de fotografá-las, lembrando-me, talvez, nesse momento, de que sou poeta.
Em meus livros, há os poemas chamados de "arranjos", ou seja, aqueles nos quais não uso frases escritas por mim, mas as ouvidas de outros, em emails recebidos por mim, em conversas em chats ou escutadas nas ruaimagens afinss, deslocadas de seus contextos, na voz de boxeadores... Agregado a isso, tem a importância maior da cidade em meus poemas: “a fronteira desguarnecida entre a pessoa e a cidade”, “a cidade aberta”, entre muitas outras .A surpresa diante de tais frases tem como pano de fundo o meu próprio trabalho poético, que talvez tenha me levado, ainda que de modo não planejado, a uma atenção a elas, casualmente encontradas. Em meus livros, há os poemas chamados de “arranjos”, ou seja, aqueles nos quais não uso frases escritas por mim, mas apenas
Assim, essas fotografias são frases que colho na boca dos muros da cidade, percebendo e pensando o que ela – a cidade – está dizendo para nós, o que a sua voz – voz da cidade, voz urbana – nos leva a pensar e a sentir. Com o quase nada de paisagens urbanas, através de suas ruínas, de seus pedaços de paredes ou muros, é a cidade, enquanto um outro lugar, que fala publicamente na exposição, transformando as ruínas de suas paisagens urbanas nas ruínas das próprias frases, nas ruínas dos sons e nas ruínas de luz.
A mostra Paisagens urbanas quase sem paisagens quer reunir o que está por aí disperso, formando um belo arranjo urbano e nos deixando ver uma poética política de uma comunidade anônima que nos constitui e é constituída por todos nós.
Alberto Pucheu






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