quarta-feira, 11 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Marcelo Valls

Marcelo Valls.


 
















Marcelo Valls nasceu no Rio de Janeiro em 16 de maio de 1958. Pai dirigente de empresa e sua mãe professora. Graduou-se no Colégio Rio de Janeiro. Mudou-se com a família para São Paulo. Cursou a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Braz Cuba em Mogi das Cruzes, onde se formou em 1984. Após a graduação, trabalhou em diferentes escritórios de Arquitetura e em institições financeiras no setor de avaliação de imóveis. Transferiu-se com a família para o Rio de Janeiro. Durante um ano, trabalhou com compra e venda de tecidos, atividade considerada útil na sua carreira artística, pois teve oportunidade de conhecer diferentes padronagens e materiais com suas características. Em 1966, iniciou seus estudos de pintura na Escola de Artes Visuais do Parque Lage com a artista e professora Katie van Sherpenberg. Ela, professora exigente, estimulava o aluno a um aprimoramento da parte prática e ao aprofundamento no estudo da história da arte. Marcelo, em pouco tempo, destacou-se como aluno. Foi convidado para trabalhar como assistente de Katie nos cursos ministrados em seu ateliê (Workshop sobre Materiais). A partir dessa atividade, interessou-se pelo estudo de materiais aplicados em pintura. No período de formação, fez o curso Procedências e Propriedades (2006) no ateliê do professor Charles Watson. Além de exposições em galerias comerciais, foi selecionado para o Salão dos Novíssimos do IBEU e para o Salão de Pequenos Formatos em Belém do Pará. Fez duas exposições individuais no Centro Cultural da Faculdade Cândido Mendes (2002 2 2005) e uma coletiva na Pontifícia Universidade Católica (2005). Participou de uma mostra de vídeo na Oi Futuro. É representado pela Galeria Öko.



Marcelo quais são seus meios para construção de seu trabalho?
Quase exclusivamente pintura. Poucas vezes com objetos e vídeos.


Quais artistas tem influência no seu pensamento artístico?
A grande influência foi da pintora Katie van Scherpenberg. Com ela pude compreender o que é ser um artista e o sacrifício necessário para isso. Citaria, ainda, Antoni Tàpies, Robert Rauschenberg, Jackson Pollock, Anita Mafaltti, Tarsila do Amaral, Volpi e Mauricio Nogueira Lima.




Como você poderia classificar a técnica utilizada em sua pintura?
Acho não ser possível classificar minha pintura. Na verdade, acredito estar fazendo uma pesquisa e espero ser surpreendido com o resultado. A técnica serve como uma ferramenta, ela não faz arte, pode ser utilizada qualquer uma. A pintura precisa de certos requisitos para existir fisicamente. Foi nesse momento, que eu precisei aprender algumas técnicas.



Você consegue viver exclusivamente do seu trabalho de artista?
Não consigo. As vendas são poucas e esporádicas. Os preços relativamente baixos. Eventualmente dou aulas. Participo como assistente de Katie nos cursos ministrados em seu ateliê. Além disso, recebo total apoio de minha família. O meu ateliê por estar instalado num apartamento de meu pai torna os custos suportáveis. Assim vou vivendo.


Como essa situação poderia ser revertida?
Acredito em políticas públicas descentes atuando no apoio aos artistas e divulgando as atividades artísticas com mais intensidade.



Qual a sua opinião sobre os preços das obras de arte no Brasil?
Os preços são, na grande maioria, baixos. Exeções raras existem, mas a quase totalidade dos artistas é subvalorizada.




O poder aquisitivo baixo da população seria a causa?
Não. O grande problema é a desinformação daqueles que tem poder aquisitivo para aquisição das obras de arte.



Qual é o papel das galerias no desenvolvimento da arte no Rio de Janeiro?
As galerias poderiam ter uma atuação mais efetiva na divulgação e promover a inserção de uma maior número de artistas no mercado. Poderiam, ainda, contribuir para formação de um mercado mais amplo, mas isso é uma discussão sem fim. A visão do artista é diferente da visão da galeria.


A crítica de arte existe? Ela funciona adequadamente?
Marcio a crítica existe e funciona, mas de forma hermética. Ela fala para para alguns iniciados e atua de forma hermética. O que quero dizer é estar ela dividida em uma acadêmica e uma outra funcionando de olhos no mercado, muito menos exigente e sincera.


Qual o papel dos curadores?
Os curadores refletem a falta de circulação da arte, eles acabam atrelados a grupos que ditam a tendência. Isso limita a formação de um pensamento mais abrangente.



Você acha que essa nova tendência das Feiras de Arte podem trazer benefícios para os artistas?
Sem dúvida, elas ajudam na divulgação de um grupo maior de artistas e agrega um número elevado de novos interessados, ampliando o mercado. Há grande cobertura da mídia e, cresce a divulgação das artes visuais.



Quais são seus planos para o futuro?
Continuar pintando, pintando e pintando. Sempre fui um apaixonado pela pintura.


A entrevista com Marcelo Valls foi realizada em seu ateliê localizado na Gávea em 05 de maio de 2010. Nosso contato é frequente e vem de longa convivência e de sólida amizade o que permitiu ampliar a entrevista em contatos posteriores aquela data. As fotos dos trabalhos foram feitos por Wilton Montenegro.

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